sábado, 20 de agosto de 2011
A Maldição da Lua Cheia
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Fast Food
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tesouro dos Homens
Hellboy, O Exército Dourado, é um mal exemplo de como a fantasia de alta qualidade se distorce sobre o manto comercialista norte-americano, mas possui qualidades que transcendem esses defeitos.
As estatísticas estão contra Guilhermo Del Toro. De sete filmes lançados nos Estados Unidos, 2 esquecíveis, um ousado, um porcaria, um mediano, uma obra prima (O Labirinto do Fauno) e Hellboy 2, O Exército Dourado (Hellboy II: The Golden Army, EUA, 2008). Este último merece um destaque maior.
Muito se esperava do diretor mexicano após o extraordinário sucesso comercial e crítico de sua fantasia adulta, O Labirinto do Fauno, que lhe rendeu a possibilidade de concorrer à estatueta do OSCAR de Melhor Roteiro e Filme Estrangeiro, com 'quase' injustas derrotas para o filme alemão, A Vida dos Outros.
Mas não foi o que aconteceu com a continuação do personagem de histórias em quadrinhos, Hellboy, quem ele havia adaptado já em um filme anterior. Hellboy (Ron Perlman), um demônio vermelho com uma mão de pedra foi incorporado ao nosso mundo pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, ao invés de servir seu propósito e trazer a destruição da humanidade, ele é criado por um professor (John Hurt) e desde então trabalha lado a lado com os humanos livrando nosso mundo dos perigos das criaturas mais fantásticas - e assustadoras - que habitam as entranhas de nossas metrópoles. Nesta sequência, ele e seus companheiros, sua namorada Liz Sherman (Selma Blair) capaz de transmutar-se em fogo, e o fiel companheiro Abe Sapien (Doug Jones) uma criatura aquática azul de aspecto curioso, capaz de ler mentes, devem enfrentar um príncipe do submundo chamado Nuada (Luke Gross) que, enfurecido com a raça humana por ter controlado o mundo acima do seu, decide entrar em guerra. Para tanto, ele desperatá o lendário Exército Dourado, uma compilação de máquinas andróides que uma vez postas em combate, jamais poderão ser detidas.
Com uma trama interessante, efeitos visuais fantásticos e um conceito artístico fora do comum, tudo parecia dar certo para o garoto vermelho. A maquiagem é absolutamente transcendental no cinema norte-americano, cortezia do incrível trabalho já feito em O Labirinto do Fauno. Neste episódio, Del Toro explora mais o conceito fantástico que ele mesmo criou, ousando construir criaturas fora do comum, e de extraordinária beleza, entre elas o próprio príncipe Nuada e sua irmã, Nuala, um Anjo da Morte assustador e um maravilhoso Elemental da Floresta. Todos que se tornaram adversários de um herói pouco merecedor: um vindo diretamente das profundezas do inferno.
A coisa começa a derrapar logo nos aspectos técnicos: a trilha sonora composta por Danny Elfman é tão passável que chega ao ponto de ser ofensiva, tamanho o espaço a ser explorado num filme com o conceito como este.
A partir daí o roteiro de Del Toro perde as rédeas a transforma o que poderia ser uma obra prima numa boba aventura fantástica com um herói pouco carismático e onde todos os protagonistas (sem exceção), tomam TODAS as decisões erradas durante a trama inteira.
Ainda que não necessariamente ruim, Hellboy II, O Exército Dourado, é excessivamente bobo, e deixa a impressão de que foi um tremendo desperdício de talento e perícia técnica que são jogadas fora durante sequências totalmente desnecessárias. A ação, quase constante, também é mal coreografada (ou pelo menos em um nível que lhe permitisse explorar todo o aspecto visual que o filme contém), as piadas ruim, a trilha sonora fraca, os atores principais, Ron Perlman no papel de Hellboy e Selma Blair no papel de Liz, sem o menor carisma ou química, enfim, uma pena. Ainda mais quando comparado ao seu predecessor, o fauno, para quem ele perde em todos os aspectos.
Entretanto, nem tudo são partículas negatívas voando ao redor do talento criativo de Del Toro. Existe uma mensagem mais profunda em Hellboy, que vai além do seu aspecto preservacionista, mais palpável e superficial:
O Príncipe Nuada luta por um motivo. Seu reino foi abandonado e esquecido, e seu povo condenado a viver nas profundezas das cidades que os humanos construiram. Mas não é nas profundezas das metrópoles que as criaturas como elfos, ogros, elementais ou anjos vivem. São nos calabouços das nossas próprias mentes e corações, cujos portões foram fechados à chave pelo chamado amadurecimento. E nesse aspecto o filme transmite muito bem a sua mensagem.
domingo, 31 de julho de 2011
Não é justo
Em menos de dezenove dias, o último filme da série arrecadou 900 milhões de dólares, batendo o recorde que anteriormente era de Avatar , de James Cameron. Este, além de proporcionar aos fãs e espectadores em geral o épico final escrito por Rowling, é também uma das mais curiosas das produções.
Pra começar, é o final, obviamente. Em segundo lugar, o diretor, David Yates, é o único a dirigir mais de duas produções da franquia Harry Potter. Chris Columbus dirigiu os dois primeiros e Yates os quatro últimos, como se os produtores estivessem, durante os episódios três e quatro, testando novos diretores, até que este foi escalado para comandar A Ordem da Fênix.
Curioso também, pois analisando-se a diretor e seus trabalhos anteriores, nota-se um desnível de qualidade cinematográfica. Da bomba cataclísmica que foi o quinto episódio, para o sensacional sexto filme, o monótona mas não menos divertida primeira parte do último, para então a complicada segunda parte.
Seria impossível analisar completamente esta produção, sem compará-la com todas as outras, e por falta do conjunto espaço/tempo, isso não será possível. Mas existem pontos que valem a pena serem ressaltados.
A começar pelo elenco. Durante os últimos anos, a saga Harry Potter, tornou-se conhecida por contar com um dos mais espetaculares elencos de qualquer filme Hollywoodiano. Com os atores do maior calibre do Reino Unido, o que criou um problema inusitado. Isso acontece pois o elenco é dividido em duas metades muito distintas: os adultos que ganharam os papéis coadjuvantes como os professores, vilões, aliados e enfim, e as crianças que obtiveram os papéis principais.
Ainda que os jovens Rupert Grint (Rony) e Emma Watson (Hermione) tenham melhorado suas técnicas dramáticas, tanto eles quanto o péssimo Daniel Radcliffe no papel de Harry Potter, ficam apagados diante da sombra de atores como Alan Rickman, Michael Gambon, Ralph Fiennes, David Twelis, Jason Isaacs, Brandon Gleeson, Kenneth Branagh, Maggie Smith, Helena Bohman Carter, e lá vai fumaça.
Dessa forma, o espectador sente-se irritado com as péssimas atuações dos garotos, e conta os minutos para ver os adultos em ação.
Outro dos grandes problemas enfrentados pela série, foi a mudança do compositor das trilhas sonoras. John Williams, conhecido por ser recordista de indicações ao OSCAR e por criar temas incrivelmente memóraveis (Star Wars, Jurassic Park, E.T. e Indiana Jones, por exemplo), escreveu as músicas dos primeiros três filmes apenas. E embora seu último substituto, Alexandre Desplat seja um músico de grande calibre, sua melodia não se compara a das primeiras aventuras do bruxinho Harry.
Neste filme, o brilho é quase todo de Alan Rickman. Após ganhar o papel de Severo Snape que previamente era de Tim Roth, ele deitou e rolou nos últimos dez anos, interpretando o professor que todos temem ter. E neste último empreendimento, seus dotes Shakesperianos são levados a um novo nível. E como se ele já não fosse uma das melhores coisas de todos os filmes, neste ele pega-o, dobra-o, coloca-o no bolso, e o leva embora.
Ainda assim, seus companheiros de cena Maggie Smith (profª McGonagal) e Ralph Fiennes que se entregou de forma assustadora a um dos personagens mais malígnos de todos os tempos, Lord Voldemort, tiveram apresentações memoráveis.
Os efeitos especiais também alcançaram um novo patamar. Nesta história, Harry, Rony e Hermione voltam para Hogwarts com o objetivo de encontrar e destruir as últimas Relíquias da Morte, o que inevitavelmente culmina numa batalha de proporções bíblicas, dentro do portão da escola, gerando assim, incríveis cenas de ação, e momentos de pura poesia visual.
Com apenas 130 minutos, este é um dos menores filmes da série, mas pela imensa quantidade de explosões, luzes e barulhos, não parece assim. Harry Potter e as Relíquias da Morte, pt II, é uma experiência quase exaustiva, ainda que com momentos de humor bem colocados.
O que diabos deu errado então? Essa é uma pergunta que muitos - até mesmo os que se emocionaram com a atuação de Alan Rickman, e com as últimas cenas do filme - devem ter feito a si mesmos.
Pela primeira vez em muito tempo, um filme baseado em um livro foi melhor do que o próprio livro. Isso por que na sétima obra, a autora J.K. Rowling pareceu perder completamente sua linha de raciocínio e escreveu quase 700 páginas do que foi um dos piores - senão o pior - livros da série.
O final apático e raso, deixou muitos com o coração partido. Mas o problema se estende a cavernas e calabouços mais profundos dentro da mente da autora. E que são difíceis de explicar, sem dirigirem-se à mais brutal franqueza.
O maior problema da série Harry Potter, é o próprio Harry Potter. Com um personagem fraco, infantil, pouco inteligente e dependente de todos os outros personagens, fica difícil torcer por ele, ainda mais quando todos os outros personagens que nós verdadeiramente amamos, perdem suas vidas para salvá-lo.
Harry lembra em muitos aspectos, o personagem Shinji, do anime Evangelion. Rapaz mirrado, inseguro e deprimido que é colocado em situações extraordinárias, Shinji em muitos momentos tem crises de consciência em momentos de brutal importância, que fazem o espectador querer entrar na televisão e lhe dar um chute na cabeça.
Com o jovem Harry não é diferente. Muitas das situações de vários dos livros, só acontecem devido a sua incompetência ou falta de raciocínio lógico - como *spoilers* a morte de seu padrinho Sirius Black no quinto livro, que só ocorreu por causa dele *spoilers*.
A condescendência da autora com sua criação favorita também é outro problema, pois ele não consegue fazer praticamente nada, sem a ajuda de seus amigos e professores. Ou pior: da incompetência dos próprios vilões. Isso claramente faz com que a autora fielmente confie na burrice do leitor/espectador, o que é uma tremanda sacanagem.
E consequentemente ela trai a memória do próprio personagem que ela criou, e que ela amou durante todos esses anos. Conforme os muros de Hogwarts caem, consumidos pelas explosões e inimigas e os personagens tão amados perecem diante de seus adversários, a sensação que o leitor ou espectador tem, é que eles morreram em nome de alguém que não merecia. E que nós, leitores e espectadores que tanto nos emocionamos, rimos, choramos e nos angústiamos à espera da épica conclusão da saga, merecíamos coisa melhor.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Enfim, o Fim!
Embora geralmente haja um acordo consensual e subscrito entre os autores deste blog para não se fazer duas resenhas sobre o mesmo filme, terei que quebrar nossa própria regra em nome de um bem maior: o adeus à infância proporcionado pela conclusão da saga escrita por J.K. Rowling.
A história de Relíquias da Morte - Parte 2 continua do ponto em que o primeiro filme acabou. Na cabana isolada onde Dobby morreu e foi enterrado por Harry. Eu, pelo menos, não me lembrava direito do final do último filme, o que é um ponto negativo já que a continuação é diretamente relacionada com os últimos acontecimentos do longa anterior. De lá, temos pouca enrolação atéo início da ação. A invasão à Gringotes (vale dizer que a segurança é absolutamente risível se analisar que é o único banco do mundo bruxo e que é considerado 'impenetrável') é bela e rápida o que dá ao espectador a sensação de urgência pretendida. De lá vamos para Hogwarts e da escola não saímos até o derradeiro fim do longa-metragem.
Pra ser sincero nem vou me dar ao trabalho de comentar as cenas e a história. Já houve tempo para todos os verdadeiros fãs da série assistirem ao filme e todos já sabem o que acontece. Em compensação acho que devo comentar sobre a fraquíssima atuação de Daniel Radcliffe - que apesar de ter tido a melhor atuação dele em qualquer filme de Harry Potter, está longe de ser considerada absolutamente boa. Os outros protagonistas interpretados por Rupert Grint e Emma Watson ainda se salvam por um pouco mais de emoção e química entre seus personagens. Em compensação a um personagem título interpretado por um ator ruinzinho, para dizer o mínimo, tem-se um elenco de apoio incrivelmente bom, com astros como Alan Rickman, Maggie Smith, Jason Isaacs e Ralph Fiennes, entre outros.
Na verdade, algumas das cenas mais interessantes e memoráveis deste filme giram em torno deste elenco mais velho e talentoso. Maggie Smith está de volta ao papel, depois de ser esquecida pelos últimos dois ou três filmes, com um vigor divertido e um humor tipicamente britânico que levava os espectadores a explodir em gargalhadas nas poltronas escuras do cinema. Contracenando bastante, com ela e com todos os outros, está Matthew Lewis, também trazendo mais talento e humor do que o protagonista da série. Seu Neville finalmente superou (quase) completamente a fase pateta em que esteve durante toda a série de livros e filmes e acabou por marcar o final da saga.
É impossível não comentar nesta resenha sobre as atuação magníficas, exuberantes, excepcionais de Alan Rickman e Ralph Finnes. Finalmente o Professor Snape de Rickman recebeu a atenção que sempre mereceu. Numa atuação emocionante que fez pessoas soluçarem nas poltronas ao meu redor (e fez um grande amigo meu chorar de raiva pelas implicações da relação Dumbledore/Snape), Rickman mostrou a que veio neste último filme da série, colocando seu talento para fora mais claramente do que nunca. Snape nunca foi um personagem amado nos filmes até a cena em que finalmente morreu nos braços de Harry. E quando então o cabeça-oca-que-possui-cacatriz finalmente visualiza as memórias daquele a quem sempre odiou, é impossível não se emocionar na cena mais tocante presente nas pouco mais de duas horas de filme, compreendendo que aquele a quem temia e desprezava era na verdade seu maior protetor, ainda maior que o aparentemente super-protetor Dumbledore. Ralph Fiennes por outro lado sempre ostentou seu talento no papel do sádico-bruxo-sem-nariz-autodenominado-Lord-Voldemort e neste último longa da série não fez feio: mostrou um lado ainda desconhecido e ainda mais assustador do personagem, um lado ligeiramente humano. A cena em que Voldemort por fim abraça Draco Malfoy (o quase inexistente Tom Felton, que mal aparece) apenas mostra o quão estranha é aquela cena, pois o bruxo das trevas não sabe abraçá-lo. Suas risadas maníacas e atitudes hostis e de surpresa ou medo apenas realçam esta interpretação da humanização da personagem.
Da mesma forma, Michael Gambon, Helena Bonham Carter e Evanna Lynch também estão ótimos, apesar das participações diminutas. Gambon aparece brevemente ao final do roteiro, contracenando (explendidamente, diga-se de passagem) com Rickman em discussões sobre a morte de Harry e a forma como o garoto deveria morrer. Bonham Carter mal aparece, apesar de ser uma excepcional atriz e sua morte é uma das mais, com o perdão da palavra, broxantes da história do cinema. Evanna Lynch é mal aproveitada apesar de encarnar com franqueza e talento a personagem Luna Lovegood, sempre fazendo uma pequena aparição aqui e ali.
O filme tem praticamente duas horas de duração, mas muito deste tempo é desperdiçado com cenas de ação desnecessárias que poderiam ser melhor utilizadas no aprofundamento da parte emocional do roteiro (como exemplo cito a morte de um dos gêmeos Weasleys e as mortes de Lupin e Tonks, ambas mostradas por literalmente uns dois segundos cada). "Como David Yates pode dar tão pouca importância à morte de personagens que tanto amamos?", me perguntei ao ver essa cena. É triste ver esse tipo de descaso com um dos personagens mais interessantes e divertidos da série. Em compensação temos uma cena de 10 minutos com Harry e Voldemort voando (sim, voando) por cima e por dentro de Hogwarts, em estado meio-dissolvido/meio-sólido numa aparatação incompleta que sabe-se lá o que quis dizer. Cena desnecessária e cansativa, diga-se de passagem.
Um dos pontos positivos do filme foram os efeitos especiais. A cena de Hogwarts sob ataque, com a cúpula de proteção se desfazendo e o castelo em chamas definitivamente vai provocar arrepios nos fãs. A ótima trilha sonora também é válida para intensificar estes efeitos e sensações. David Yates se arriscou ao aceitar dirigir este longa. Óbvio que é impossível agradar a todos os fãs, mas de fato deveria ter sido dada mais atenção à parte emocional deste filme (com tantas mortes e perdas, é excruciantemente o filme mais emocional da série). Por outro lado, tem se tornado comum encontrar filmes nos cinemas atualmente em que o roteiro não presta e as cenas de ação se estendem indefinidamente como se pudessem tapar buracos numa história fraca com tiroteiros e explosões (vide Transformers 3).
O epílogo, bom, nem vale a pena ser comentado. Fraco, chato e sem sentido, assim como no livro. E infelizmente mal-feito também. A maquiagem não convenceu e fechar a cena final na cara de Harry acabou com a graça de se ter um epílogo. Bem melhor seria fechar a cena com o Expresso de Hogwarts partindo.
Como disse no começo desta resenha, dizem que este é o fim de uma era. Uma era de Harry Potter. Mas não creio que seja. Creio que é apenas o começo de uma Nova Era. Uma Era em que Harry Potter vai ser apenas uma lembrança de toda a magia do mundo, marcando nossas memórias para sempre. O fim chegou, como sempre chega. E a todos que viveram estes tempos mágicos nada resta a não ser voltar a mergulhar nesta história quando se sentir nostálgico. Apesar de todos os problemas da série (me refiro à de livros e de filmes), é impensável esquecer Hogwarts e seus ocupantes. Afinal, como diz Dumbledore, Hogwarts estará sempre lá para aqueles que dela precisarem.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Sólido Abismo
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A Redenção [2]

quarta-feira, 20 de abril de 2011
A Redenção

Todo mundo já viu aquelas histórias clichês em que alguém chega para um padre, em confissão, e diz que cometeu um crime e aí o religioso não pode contar a ninguém e blá blá blá. Bom, apesar de o roteiro ser ligeiramente clichê, é a linha condutora da nova websérie chamada The Confession, estrelada pelo ótimo Kiefer Sutherland e pelo excepcional John Hurt. No primeiro trabalho após a finalização do mega-sucesso 24 Horas (24 no original em inglês), Sutherland surpreende ao encarnar um personagem tão parecido com o idolatrado e super-mega-blaster-foda (com o perdão da palavra, mas no melhor sentido) Jack Bauer e, ao mesmo tempo, um personagem que diverge totalmente do agente que salvou os Estados Unidos dos mais diversos atentados durante oito temporadas.
A série que terá no total 10 episódios (cinco dos quais serão comentados nesta mesma resenha e os outros cinco em uma próxima), de pouco mais de cinco minutos cada, foi filmada em Nova York durante nove dias. A história gira me torno de um assassino profissional (Kiefer Sutherland) que entra em uma igreja na véspera de natal e vai se confessar com um padre (John Hurt). Ele conta ao padre que matou um homem na noite anterior e que pretende matar outro naquela mesma noite. A partir de então começa uma discussão sobre filosofia e teologia em que o espectador percebe que nem o assassino é completamente mau e nem o padre, completamente bom. Ambos os personagens se mostram mais profundos do que o esperado ao se enveredarem por discussões sobre o bem e o mal, sobre o homem e Deus e sobre a violência do ser humano, tudo em um clima de ameaça sob a mira com silenciador de Sutherland no pequeno confessionário. Brad Mirman, que dirigiu e escreveu o roteiro para a série, ainda se utiliza de flashbacks para mostrar o passado e algumas experiências do assassino.
E aí curtiu? Bom, colocarei ao final desta resenha o trailer da série para que vocês mesmos julguem se é tão boa quanto parece ou não. Mas a partir de agora farei um curto comentário dos primeiros 5 capítulos e é bem provável que haja SPOILER a partir do próximo parágrafo. Se você não liga, vá em frente, mas considere-se avisado; se liga, pule para o parágrafo final e para o trailer do final do post e peça um link para download nos cometários, se quiser, que eu indico o site onde encontrei.
A série se inicia com uma comparação clara entre os dois personagens principais: o assassino e o padre. À medida que uma música instrumental incita o mistério e o suspense, vemos ambos os homens se vestindo para o dia que têm pela frente. Um deles, vestindo seu colete à prova de balas, enquanto o outro veste a batina negra com a faixa púrpura; um deles veste luvas de couro negro enquanto o outro veste o colarinho branco que caracteriza o clero; um deles prepara sua pistola com silenciador enquanto o outro pega seu terço e sua bíblia. E assim começa essa obra de arte, que infelizmente não dura tanto quanto eu gostaria. Logo vemos que nenhum dos dois personagens têm nome: ambos são caracterizados por suas respectivas profissões. O que fazem define suas vidas. No decorrer dos primeiros episódios, vemos o matador ameaçar fiéis que vão à igreja apenas para que o padre se sente com ele e discuta pacificamente. Em nenhum momento impõe seu ponto de vista, estando sempre aberto à discussão sobre fé e entrando em temas como livre-arbítrio (usando bandidos e assassinos como exemplo), perdão sincero de seus pecados e o fato de o ser humano ter ou não escolha quanto a seus atos. Um detalhe que chama a atenção é que, apesar de o assassino mater uma arma sempre à mão, em toda a história há um clima de igualdade entre o homem e seu confessor. Da mesma forma que o padre defende a opinião e os ensinamentos de Deus, vemos o outro debatendo e rebatendo cada argumento com outros igualmente fortes. O clima de "cabo-de-guerra" é leve e pacífico, apesar da situação dentro do confessionário. É quase como os típicos oponentes que são rivais, mas se gostam. Voltando à história, é muito legal a parte em que o padre é obrigado a mostrar que também é humano quando é forçado a assumir que já achou que pessoas mereceram morrer. Pessoas que, ele admite, viu machucarem outras pessoas. Notamos então que a imagem que temos do clero em geral é ilusória. Mesmo os mais puros e aparentemente santos dos religiosos não deixam de ser apenas humanos. Isso fica claro e exposto à meia-luz que adentra a igreja pelos vitrais coloridos em direção ao confessionário. Por fim, discutem entre si o poder. O fato de um deles assustar as pessoas, o fato de aquela arma simbolizar um poder inexistente sem ela, o fato de aquele simples objeto tornar um ser invisível em alguém a se temer. Da mesma forma, descobrimos as dúvidas de um homem que dedicou sua vida a um Ser superior, mas que nunca abandonou sua posição pelo significado que o colarinho branco lhe confere.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Não foi Dessa Vez...
Em Metro 2033 os sobreviventes de uma catástrofe nuclear vivem nos metrôs de Moscou. Pena que a história não assusta sábado, 12 de fevereiro de 2011
A Nova Gênesis de Evangelion

* Atenção: para melhor compreensão da review, seria interessante ao leitor, procurar assistir a série original e seu longa metragem, The End of Evangelion.
Remake de uma das séries de anime mais importantes de todos os tempos, trancende a refilmagem e torna-se uma obra totalmente nova.
Em 1995, foi produzida pelo estúdio Gainax, a série Neon Gênesis Evangelion, um seriado de animação japonesa (anime), do gênero mecha, que constitui em robôs gigantes pilotados por seres humanos. Aliando ficção-científica com fantasia, uma trama e personagens complexos, referências religiosas, muita ação e sensualidade, a série foi um sucesso de proporções bíblicas, tornando-se indicustivelmente, uma das séries de animação de maior sucesso de todos os tempos.
Dividos em durações que variam de 100 a 110 minutos, ocorre uma grande condensação dos 26 episódios da série original, sendo que muito - e eu digo, MUITO - é deixado de fora, especialmente no primeiro longa.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
A Vil Vingança Vermelha
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Alguma coisa se perdeu no caminho
Filme que retrata combate sangrento no Vietnã, cai em contradição óbvia: como justificar o injusficável?
1965. 400 soldados norte-americanos são emboscados por tropas inimigas no total de 4 mil homens no Vale da Morte durante a guerra do Vietnã. O tenente-coronel Hal Moore encontra-se preso numa emboscada inimiga, com a vida de seus homens em suas mãos, no que foi considerado o combate mais violento da guerra do Vietnã desde a invasão norte-americana ao pequeno país comunista.
Essa é a história contada pelo diretor Randall Wallace no filme Fomos Heróis (We Were Soldiers, EUA, 2002), estrelando Mel Gibson no papel do tenente-coronel Hal Moore, Sam Elliot, no papel do sargento-major Basil Plumley, Greg Kinnear interpretando o major Bruce Crandall e Barry Pepper (que já fez filmes de guerra como O Resgate do Soldado Ryan e A Conquista da Honra) no papel do fotojornalista Joe Galloway que testemunhou o combate (ou boa parte dele), no dia 15 de novembro de 1965.
Acostumado a escrever roteiros de filmes de guerra, como o grande sucesso dirigido por Mel Gibson em 1995, Coração Valente, e o fracasso crítico Pearl Harbor de 2001, Wallace assumiu as rédeas da direção pela segunda vez em um grande projeto (o outro tinha sido O Homem na Máscara de Ferro de 1998), com Fomos Heróis, desta vez tendo no papel principal o ator/diretor Mel Gibson, que rendeu ao seu roteiro de Coração Valente, o OSCAR de melhor filme.
No filme de guerra do Vietnã, um foco interessante é abordado, e que não é normalmente mostrado em outros filmes do gênero: o outro lado das trincheiras. Desde o começo do filme, o espectador é apresentado às famílias dos soldados que estão sendo enviados ao Vietnã, assim como as famílias e comandantes dos soldados vietnamitas, cujo destaque, embora significativamente menor, é interessante.
Esse é um recurso clássico e eficaz para o espectador “apaixonar-se” pelos personagens cujas trajetórias está acompanhando, e nesse sentido o filme cumpre o seu papel.
Contudo, o verdadeiro (ou quase verdadeiro) olhar da história reside na visão do fotojornalista Joe Galloway que viaja ao Vietnã, integrando-se ao pelotão de soldados do coronel Moore, acompanhando a brutalidade do combate sofrido naquele dia, além de criar uma relação de amizade com o personagem de Mel Gibson.
O filme não deixa de despejar recursos para afetar o espectador emocionalmente. Seja nas atuações intensas de Mel Gibson e Berry Pepper (que valem o filme), na apresentação das famílias dos personagens e a trajetória das esposas que começam a receber as cartas informando a morte de seus maridos, ou dos discursos fraternais do comandante vietnamita, aos seus soldados, de uma forma bem parecida com a de Hal More. A música, do compositor Nick Glennie-Smith, é um festival de cordas e acordes profundos e melancólicos, especialmente no terço final do filme.
Contudo, o elemento mais dissonante de toda a obra, é justamente a caracterização do combate. A violência (este é um dos filmes de guerra mais graficamente violentos desde O Resgate do Soldado Ryan) e a brutalidade do combate que resultou na morte de quase 2 mil soldados vietnamitas, acaba criando uma contradição palpável: enquanto tenta equilibrar ambos os lados ao apresentar as famílias das duas nações envolvidas, na tentativa de “humanização” dos personagens “inimigos”, o filme ao mesmo tempo procura ser totalmente pró-americano, ao procurar encontrar a justificativa ou compreensão dos acontecimentos que levaram àquela guerra, e àquele combate. Contudo, ao término, o filme simplesmente falha em todos os aspectos.
Fomos Heróis, tampouco consegue ser equilibrado, quanto pró-americano. Procura justificar o injustificável. Procura entender o inteligível. Procura encontrar uma razão para tamanha dor e violência. A razão das lembranças que ficaram aprisionadas na memória de Hal Moore e Joe Galloway pelo resto de suas vidas (o que inspirou ambos a escreverem o livro no qual o filme foi baseado). Algo se perde durante os 138 minutos da obra. Provavelmente a mesma coisa que os jovens soldados levaram para o vale em 1965, e que permanece lá até hoje.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Império das Sombras
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Inspire
No novo filme do diretor islândes, Baltasar Kormákur, conhecido por A Fraude e outras produções filmadas em seu país natal, pouco conhecidas do público internacional, o ator Dermot Mulroney (o mesmo de O Casamento do Meu Melhor Amigo) é um promotor chamado Paul Stanton que está acusando um homem de tentativa de homicídio, após este suspeitar que seu filho estava sendo assediado sexualmente por um pedófilo previamente condenado. Paralelamente à sua acusação, a filha do casal protagonizado por Mulroney e Diane Kruger, Chloe, está gravemente doente e precisa de um transplante de fígado.
A primeira cena de Inhale (Inhale, EUA/MEX/ISL, 2010) mostra um grave acidente de carro onde um menino de aproximadamente 6 anos de idade foi morto. Imediatamente o espectador pensaria que se trata de uma narrativa espiralada. Que essa cena inicial na verdade se trata do final do filme, e que os órgãos do garoto inevitavelmente iriam para a jovem Chloe. Contudo, essa cena apenas abre o que será o estopim para uma série de conflitos que culminarão em sequências de violência aterradora e dilemas morais ainda mais aterradores.
Incapaz de encontrar um doador compatível com o de sua filha, e vendo o tempo correr mais rápido do que ele pode alcançar, através de um colega, o promotor Stanton descobre uma rede de tráfico ilegal de órgãos no México em busca de um homem conhecido como Doutor Navarro.
As sequências posterioras do filme acompanham a tragetória de Stanton no México, em sua desesperada tentativa de encontrar um doador para sua filha. Em sua jornada, ele descobrirá um grupo de garotos esquecidos que o ajudarão (ainda que de uma forma não muito convencional), um médico que esconde um segredo assustador e um jovem travesti chamado Inez. Juntos, todos mergulharão no mundo do tráfico, do sexo e da violência.
Inhale aguarda distribuição há provavelmente quase um ano e em teoria, deverá estreiar nos Estados Unidos no dia 22/10. Contudo, constantes atrazos na produção e lançamento dão a impressão de que o filme só será lançado em DVD. Já no Brasil, não há qualquer perspectiva de chegada, e tal filme passa completamente desconhecido do público brasileiro.
Kormákur faz uma abordagem bastante seca e direta da violência e do sexo que pulsam pelas ruas abandonadas da Cidade do México. A prostituição e a corrupção policial são mostradas às claras, assim como cenas explícitas de violência e sexo que podem render ao filme uma faixa etária bastante elevada.
Dessa forma, o diretor islandês prende a atenção do espectador conforme a narrativa torna-se cada vez mais frenética, violenta e explícita, enquanto a vida de Chloe vai se esvaindo.
Até um determinado momento, Stanton é um homem dedicado somente ao ato de salvar a vida de sua filha, e fará o que for necessário para que isso aconteça, assim como sua esposa, Diane. Contudo, quando ele descobre a verdadeira natureza do tráfico ilegal de órgãos, ele se vê em um dilema moral extremamente complicado e profundamente difícil. Nesse aspecto, Kormákur faz uma abordagem ainda mais direta e realista dos dilemas morais que um homem da lei como Stanton tem que enfrentar em uma situação como aquela, assim como a real natureza de muitos dilemas morais que abundam em regiões esquecidas e na vida de pessoas abandonadas por um governo local incompetente, despreparado e corrupto.
A fotografia, em tons escuros e cores douradas ressalta um ambiente inóspito, desértico, ainda que com naturalidade. A edição é sóbria, assim como a direção e a atuação dos atores que são discretos mas muito competentes em seus papéis. A música de James Newton Howard não foge à mesma fórmula, mantendo batidas eletrônicas e melodias compostas por violões e guitarras acústicas como já foi visto nas badaladas de Gustavo Santaonalla, com o único objetivo de sustentar o filme.
No fim, nenhum dos elementos citados assim se destaca. Contudo, em conjunto são capazes de prender a atenção do espectador, mergulhando-o nos dramas e dilemas enfrentados por seus protagonistas, com a quantidade certa de ação.
Inhale não é para os fracos e os medrozos. Faz uma abordagem bastante adulta sobre problemas e terrores que assolam as classes inferiores na América Latina, sem esconder sua real natureza. O tráfico de órgãos é uma indústria. Uma indústria que gera uma receita consideravelmente alta, e que, como o tráfico de drogas, se sustenta das vidas humanas. A primeira aventura de Kormákur nos EUA, pode não ter rendido um filme excelente, mas eficaz em mostrar até onde um pai vai para salvar a vida de seu filho, e até quais decisões ele deverá tomar para salvar uma vida.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A Identidade Salt
Novo filme de Angelina Jolie, Salt, lembra um pouco demais os filmes da trilogia Bourne.
Com o advento dos filmes da trilogia Bourne no começo do século XXI, que alcançaram um novo patamar no gênero de ação no cinema norte-americano, muitos diretores recentemente têm tentado reproduzir os efeitos dos filmes de ritmo rápido e roteiro inteligente dirigidos pelo inglês Paul Greengrass (Vôo United 93, Zona Verde) e estrelados por Matt Damon.
Um deles foi o próprio Paul Greengrass, que, no começo de 2010 lançou nos cinemas brasileiros, Zona Verde, um drama de ação política que se passa durante a guerra do Iraque em 2003, onde ninguém menos que Matt Damon, tenta desvendar uma conspiração realizada pelo governo americano, ao não encontrar as armas de destruição em massa que foram a causa da guerra pelos EUA.
Embora seja o melhor filme de ação deste ano, com o roteiro do vencedor do OSCAR, Brian Helgeland (Los Angeles, Cidade Proibida), o filme que possui ritmo alucinante e roteiro extremamente inteligente, não foge às referências óbvias à franquia que o diretor Greengrass consolidou alguns anos antes.
O que isso tudo tem a ver com Salt? Estrelado por Angelina Jolie e dirigido por Phillip Noyce (O Colecionador de Ossos), Salt (Salt, EUA, 2010), não foge às mesmas características que o espectador já viu em Jason Bourne.
No filme, Evelyn Salt (Jolie) é uma agente da CIA que se encontra disfarçada como a vice-presidente de uma empresa petrolífera, até que ela e seu parceiro (o fabuloso Liev Scrheiber), são abordados por um desertor russo, Orlov, interpretado por Daniel Olbrychski, que afirma haver um espião russo infiltrado dentro da CIA e que ele irá assassinar, naquele mesmo dia, o presidente russo que está em visita aos EUA para o funeral do recém falecido vice-presidente americano. Afirma também, que o nome do espião é Evelyn Salt.
No momento seguinte, Salt escapa das instalações da CIA (passando por cima de alguns dos agentes que a perseguem) e foge em busca do marido, um aracnólogo alemão que ela acredita estar em perigo.
A sucessão de acontecimentos que ocorrem conforme o filme prossegue tornam-se cada vez mais implausíveis, como Salt pulando do topo de caminhões por uma via expressa, entre outras coisas. O filme então parte para um segmento que dá valor às reviravoltas, que depois da quarta, tornam-se tão implausíveis quanto o restante do filme.
O bom trabalho dos atores coadjuvantes não ajuda a esconder os maiores defeitos do filme. Jolie é magra demais para convencer na maior parte das acrobacias das cenas de ação, embora tenha afirmado recentemente que as realizou sem o uso de dublês. Algumas das mesmas cenas, são extremamente parecidas com as já vistas na trilogia Bourne, fazendo com que o público muitas vezes se sinta incrédulo com o que está acontecendo na tela.
A própria música do compositor americano James Newton Howard soaria bem em O Fugitivo (trabalho que lhe rendeu uma de suas 8 indicações ao OSCAR), com toques mais graves de elementos eletrônicos e de percussão, mas também não foge ao clichê de usar pesadas guitarras elétricas e tambores toda vez que Salt realiza uma de suas sequências mais "extraordinárias".
O roteiro de Kurt Wimmer (Código de Conduta, Os Reis da Rua) faz de tudo para que a verdadeira identidade de Salt seja negada ao espectador. Contudo, conforme as cenas de ação vão se desenrolando e as improbabilidades se acumulando, o espectador é levado à uma iminente continuação e permanece preso entre duas possibilidades sobre a verdadeira identidade da personagem Salt.
Uma delas é que Salt é quem diz que é (ainda lembrando Jason Bourne, só que voltada para o sexo feminino). A outra é a mais plausível de todas. Por que, apesar de todas as acrobacias, pirotecnias e reviravoltas, Salt é ninguém menos que Angelina Jolie.
"Salt". Título original: "Salt". Nacionalidade: EUA. Ano: 2010 Diretor: Phillip Noyce. Roteiro de: Kurt Wimmer. Produzido por: Lorenzo di Bonaventura e Sunil Perkash Estrelando: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor e Daniel Olbrychski. Música de: James Newton Howard Duração: 100 min. Resenha escrita por: Roberto F. F. Causo Nota: 6,5/10
