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sábado, 20 de agosto de 2011

A Maldição da Lua Cheia



Sim, Teen Wolf. Exatamente isso que você, caro leitor, está pensando: lobisomens. Acreditem em mim, não fiquei muito mais animado do que você está neste momento em que começa a ler esta resenha. Apesar de assistir a muitas séries, tenho a tendência a no mínimo escolher, de longe, as bem recomendadas e bem criticadas. Não é o caso deste lançamento. Para falar a verdade esta série me foi totalmente contra-indicada sobre todos os aspectos. Por motivos puramente acadêmicos (uhum, Cláudia, senta lá) decidi sacrificar algumas horas do meu suado e idolatrado final de semana em pról do estudo mais aprofundado de séries metafísicas, em especial a esta que se dedica exclusivamente (pelo menos até agora) à mitologia do lobisomem - metade homem, metade lobo.


Antes de iniciar falando sobre o contexto e roteiro, devo colocar uma questão importantíssima: porque diabos lobisomens não suportam usar camisas/camisetas? Alguém aí sabe? Caso alguém possua esse tipo de informação ultra-confidencial, favor me contar nos comentários. Grato.


Questão colocada, vamos à série: o protagonista desta série é o jovem Scott McCall - interpretado pelo ator Tyler Posey, que cá pra nós não é grande coisa em termos de atuação (adendo 1: deve ter sido escolhido pela cara bonitinha, pois realmente está longe de ser bom ator em 90% do tempo) -, um garoto de 16 anos que é ignorado por quase todos em sua escola, apesar de fazer parte do time de Lacrosse da escola. Sim, Lacrosse é o esporte oficial desta série (ponto positivo pela originalidade, já que nunca sequer tinha visto alguém jogando). É verdade que Scott é reserva do time, e tem asma, mas mesmo assim não tem motivo para o isolamento do garoto. É um daqueles típicos adolescentes isolados pelos grupinhos populares. Voltando: seu único amigo é Stiles - interpretado por Dylan O'Brien que provavelmente é o ator mais importante para o desenrolar da série, pelo simples fato de fazer o personagem mais divertido que vi em anos, em qualquer série de TV - um jovem sarcástico, irônico e de língua afiada, que também é reserva do time de Lacrosse e é apaixonado desde a 3ª série pela líder de torcida popular que namora o capitão do time da escola (respectivamente: Holland Roden interpretando Lydia e Colton Haynes interpretando Jackson). Logo no começo do episódio vemos Scott e Stiles invadindo uma floresta em busca de um corpo que a polícia está procurando. Por ser filho do xerife, Stiles soube em primeira mão que apenas metade do corpo de uma garota havia sido encontrado. Eles buscam a outra metade apenas pelo prazer de poder olhar um cadáver de perto. Confusões à parte, se separam na floresta escura e Scott acaba sendo mordido por um animal enorme, que depois viemos a saber, não era um lobo comum.



A partir desse ponto, claro, começa o conflito da série. Com seus novos poderes de lobisomem, Scott vira titular do time de Lacrosse (com velocidade sobrehumana e agilidade de um predador, até eu) além de conseguir impressionar a nova garota que se mudou para a cidade e acaba de entrar na escola, chamada Alisson Argent (Crystal Reed). Com o passar dos dias, Scott percebe que não é tão fácil ser lobisomem quanto Jacob faz parecer: se sua pulsação sobe por algum motivo - raiva, excitação sexual, nervosismo, ansiedade - começa a se transformar quase que imediatamente, colocando as garrinhas de fora, com direito a orelhas pontudas, rosto peludo, caninos grandes e olhos amarelos. (Adendo 2: admito que a maquiagem da série não convence na transformação, além de alguns dos efeitos especiais ficarem meio estranhos). Enfim, para lidar com essas transformações fora de hora, contamos com Derek Hale (o nada mau Tyler Hoechlin, que melhora com o decorrer dos episódios), o lobisomem que encontra Scott na floresta nos primeiros dias e o protege de um trio de caçadores que tentavam eliminá-lo. Este grupo de caçadores de lobisomens é liderado por Argent (personagem sem primeiro nome que é interpretado pelo ótimo JR Bourne) ao qual posteriormente se junta Kate (a incrível e linda Jill Wagner), respectivamente o pai e a tia da mocinha por quem nosso protagonista lupino se apaixonou. É mole ou quer mais?



Essa é a salada mista na qual se desenvolve a história. Reclamações, elogios, lágrimas? Claro que a história possui inúmeras reviravoltas, mas como já reclamaram que costumo spoilear muito nas minhas resenhas, paro de contar sobre a história por aqui mesmo.


Agora você me pergunta, caro leitor, o motivo de eu fazer uma resenha sobre uma série confusa como essa, que nem ao menos tem bons efeitos e maquiagem no que diz respeito a transformações em lobisomem, que meio que é o tema central. E eu te respondo, a atuação dos coadjuvantes. Em especial as atuações de Dylan O'Brien e Melissa Ponzio (Melissa McCall, a mãe de Scott). Dylan como Stiles é genial. Traz uma quantia infinita de humor à série, assim como comentários sarcásticos e uma emoção que falta ao protagonista, sem falar nos diálogos divertidíssimos e extremamente afiados. Não me lembro de nos últimos anos ter visto personagem mais divertido em qualquer outra série. A série em si é engraçadíssima. Apesar de se classificar como "horror, drama, thriller and comedy", a série é totalmente voltada para a comédia, pelo menos em relação aos diálogos e relacionamentos entre os personagens adolescentes. Outra coisa que vale destacar é a ótima química entre Tyler Posey e Crystal Reed, como Scott e Alisson. É um caso tão puro de amor platônico (não unicamente, apesar de nunca chegarem a consumar a relação) que emociona e cria aquela pontinha de inveja nos espectadores solitários e solteiros (leia-se #foreveralone's). É um romance tão bonito que, como se diz na blogosfera, nos faz ter vontade de vomitar arco-íris.


Para finalizar, deixe-me dizer que apesar de não ser uma das melhores séries que já vi, mas também não é de longe a pior. Creio até que tem tudo para ser melhor que algumas séries pseudo-cults e bestas que tem por aí. E a segunda temporada já foi confirmada, além, claro, das seis indicaçõs ao Teen Choice Award. E devo dizer, fazia muito tempo que não passava tantas horas bem gastas rindo sozinho em frente à tela do meu computador por causa de um seriado. Então vamos aguardar a segunda temporada para ver se, de fato, a lua cheia é uma benção ou uma maldição.


Título original: "Teen Wolf - First Season". Ano: 2011. Nacionalidade: EUA. Criado por: Jeff Davis. Roteiro de: Jeff Davis, Monica Macer, Jeff Vlaming, Daniel Sinclair. Produzido por: Tim Andrew, Keith Birkfeld, Christopher Ottinger, Jeff Vlaming. Estrelando: Tyler Posey, Crystal Reed, Dylan O'Brien, Tyler Hoechlin, Rolland Hoden, Colton Raynes, com JR Bourne, Melissa Ponzio, Jill Wagner, Liden Ashby, Orny Adams e Ian Bohen. Número de episódios: 12. Resenha escrita por: Guilherme R. Aleixo. Nota: 7,0/10.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um aloprado à beira de um ataque de nervos



Filme dirigido por Martin Scorcese e estrelado por Leonardo DiCaprio, é, infelizmente, um dos filmes que não devem ser assistidos duas vezes.




Baseado em um romance de Dennis Lehane, Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2010) foi adaptado para os cinemas pelo consagrado diretor Martin Scorcese, com um elenco de peso que incluia Leonardo Di Caprio, Mark Ruffallo, Ben Kingsley, Michelle Williams e Max Von Sydow.


Em 1954, um oficial federal chamado Ted Danniels (DiCaprio) é enviado até Shutter Island para investigar o misterioso desaparecimento de uma mulher chamada Rachel. O lugar é uma instituição psiquiátrica de segurança máxima que fica em uma Ilha no estilo de uma história de Alexandre Dumas, responsável pelo tratamento dos criminosos insandecidos mais violentos e rejeitdaos pela sociedade e outros sistemas carcerários.


Juntamente de seu parceiro, Chuck Aule, Teddy irá desvendar segredos obscuros em Shutter Island, que envolvem mais do que a irresponsabilidade dos médicos e seguranças que deixaram a fugitiva em questão escapar, mas a possibilidade de experimentos científicos com os prisioneiros, e outras coisinhas sórdidas.


O diretor do local, John Cowley, interpretado por Ben Kingsley, é desde cara o tipo de sujeito que não deixará dois oficiais federais estragar, seja lá qual for o objetivo que ele está tentando alcançar. E durante toda a "peregrinação" pelha ilha do medo, Teddy e Chuck irão de deparar com uma série de mentirosos e seguranças psicopatas, que estão escondendo um segredo profundo e assustador dentro do hospital.


Ainda que possúa uma premissa muito interessante e fiel ao livro de Lehane, responsável por trabalhos como Sobre Meninos e Lobos (adaptado por Clint Eastwood), o filme que começa muito bem, proporcionando um clima tenso e atmosférico, vai descarrilhando rumo ao final.


Mas nada comparado ao que acontece nos últimos trinta minutos da obra.


Já é de longa data a mania de Hollywood de criar filmes com reviravoltas "inteligentes" no final. M. Night Shyamalan fez isso em O Sexto Sentido e deu certo. Abusou muito nos filmes posteriores e deu errado. Tony Gilroy usou e abusou disso em Duplicidade e funcionou também, mas Martin Scorcese, embora seja um diretor talentoso e conceituado, não é nem M. Night Shyamalan nem Tony Gilroy. E muito menos Alfred Hitchcock, ou seja lá que mais ele se inspirou para fazer o filme.


O que é uma pena. Durante grande parte do filme, ele parece seguir por uma trajetória muito promissora, mas depois desencana numa reviravolta que pode surpreender os mais desatentos, mas desapontar - e muito - aqueles que prestaram mais atenção em certos aspectos fundamentais do filme.


E ainda que funcione de alguma forma em ambos os casos, torna o filme impossível de ser assistido uma segunda vez, sem que as improbabilidades tornem-se palpáveis e as incoerências insuportáveis.


Isso não é culpa inteiramente de Scorcese. Aliás, mérito dele por tentar criar algo diferente do gênero do gangsterismo, o qual ele está acostumado. Tanto Lehane quando o cineasta, falharam em aproveitar ao máximo o que uma trama "mais simples" podia oferecer, voltando-se para a reviravolta. O problema de tal recurso, é que ele tende a criar o "efeito rebobina", no qual o espectador (se for do tipo observador), irá procurar ao longo da memória, todos os detalhes da trama que poderiam ter entregue o final mas não entregaram (ou entregaram).


A direção de Scorcese é falha, e é incapaz de manter o espectador na ponta da cadeira, criando um clima de medo e suspense. Desde o começo do filme, é óbvio que o personagem de Di Caprio está derrapando entre os limites da lucidez e da insanidade e conforme o filme passa, ele se torna mais um aloprado à beira de um ataque de nervos, do que um oficial federal que seria chamado para uma instituição repleta de loucos. Só não sabemos por que ele está assim. Uma direção mais sóbria e uma atuação menos intensa por parte do ator principal, poderiam ter feito a diferença na hora de criar o impacto indesejado.


Mas não em costurar os furos do roteiro/livro, que é quase uma peneira de impossibilidades. Entretanto, o livro possui um clima muito mais ágil e bem humorado, que faltou ao filme, por opção do cineasta ou da roteirista Laeta Kalogridis, que providenciou o roteiro. Estes elementos poderiam ter criado um clima ainda mais envolvente, que só é providenciado pelo ótimo trabalho de produção e pelo soberbo trabalho de fotografia de Robert Richardson.


O elenco ainda é bem aproveitado, com boas atuações de Kinglsey, Ruffallo, Von Sydow e Michelle Williams, como a falecida esposa de Teddy, que aparece em flashbacks. Outras participações, como as de Elias Koteas e Jackie Earl Haley tornam Ilha do Medo uma das obras com o melhor elenco dos últimos anos.


Ao cineasta Martin Scorcese sempre faltou sutileza, algo necessário para um filme de suspense, cuja trama vai se desenrolando até o final - ou não. Ao roteiro e ao livro, faltaram consistências que permitissem o resultado final, ser plausível.


Ilha do Medo ainda é um filme envolvente que mantém o espectador relativamente preso numa trama que parece ser bem elaborada, mas não é. É divertimento descompromissado para quem só quer se sentir angustiado durante duas horas e pouco. Mas para quem quer algo mais inteligente, existem opções melhores. Para quem gostou da primeira vez, melhor não ver a segunda.