segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma Sociedade de um Assassino

O autor de Assassin's Creed - Renascença parecia apressado em terminar o livro para receber o lucro, é tudo que posso dizer


Embora nunca tenha jogado nenhum outro jogo da franquia Assassin's Creed além do primeiro (que ainda estou tentando zerar), me senti tentadíssimo a comprar este livro assim que soube ser baseado na história do segundo volume do jogo. E me decepcionei. Vamos lá: a história gira em torno de Ezio Auditore, um rapaz inconsequente e briguento que pode se dar ao luxo de fazer alguns serviços eventuais para seu pai, um banqueiro "novo rico" de Florença, mas nada além disso. Passa os dias brigando por aí e se pegando com uma moça da cidade. É assim que começa a história de Assassin's Creed - Renascença. Nota-se desde o princípio da história que o autor (que usa o pseudônimo de Oliver Bowden) escreve se baseando no roteiro do jogo e não o contrário. Isso é notável pelo simples fato de que a história é muito rápida, partindo de uma coisa para a outra sem explicações como se aquelas situações já tivessem ocorrido àqueles personagens inúmeras vezes, tornando tudo muito inverossímil.
Outra coisa que me incomodou muito é a falta de detalhamento da história. Isso só ressalta que a história é baseada no jogo o que pressupõe que o leitor conheça o visual do game, coisa que enfraquece o título, na minha opinião. Nada é descrito na história: nem os personagens ou seus vestuários, nem os cenários, nada. Eu que só conheço o primeiro jogo fiquei realmente perdido embora tivesse uma ideia geral. Ponto bastante negativo, a meu ver.
Como já comentei antes, a história é rápida demais, isso irrita (pra vocês terem uma idéia, em pouco mais de 300 páginas de livro se passam mais de 20 anos. Com o perdão da palavra, mas PORRA!). Nada incomoda os personagens, que parecem habituados à violência, como se fosse a coisa mais comum do mundo. Ezio de repente descobre que não é apenas o filho de um banqueiro, mas o herdeiro de uma família que pertence a um grupo chamado de Assassinos, que têm de impedir a ascensão de um grupo denominado Templários para que não dominem o mundo. Quando seu pai e irmãos são executados em praça pública, Ezio jura vingança contra aqueles homens (membros dos Templários) que os incriminaram e começa a caçá-los e matá-los. Fácil assim. Aparentemente aceitar que você vem de uma linhagem de assassinos e que faz isso por "uma boa causa" impede que você questione o certo e errado e que tenha problemas de consciência. Maravilha. Não há profundidade psicológica no personagem principal. Ele é raso e vago e mesmo que o livro seja em primeira pessoa, ele quase nunca expressa os pensamentos de Ezio. Sem falar que nos 20 anos que a historia dura, a mentalidade do personagem não muda nem um pouco. Fraco, fraco, fraco.
Mas nenhum dos pontos negativos já citados foi aquela gota-d'água que me fez desgostar quase completamente do livro. Um dos maiores problemas, na minha opinião é que não há dificuldade. De repente ele vai pra uma cidade chamada de impenetrável e não sei o que mais e na meia hora em que ele vai até um lugar a porra da cidade é invadida. Novamente com o perdão da palavra, mas PORRA! É impenetrável ou não é?
Algumas missões dele são simplesmente despropositadas, não há dificuldade, ele simplesmente vai lá, entra no lugar, mata o cara, acha uma página do Códex, sai, volta pra casa e pronto. Cacete! Qual a graça? mas o que mais me revoltou, mais do que tudo isso, é que os Assassinos são uma sociedade. Eles sobreviveram centenas ou milhares de anos na luta contra os templários, então supõe-se que eles saibam se virar, certo? NÃO! Eles simplesmente deixam um moleque de 20 anos que mal matou o primeiro cara assumir todas, deixa eu repetir, TODAS as missões. Em um dia Ezio nunca ouviu falar dos Assassinos, no outro dia, ele é quem mata todos os malditos templários que aparecem no livro. Mas que merda é essa? Não é uma sociedade de Assassinos? Uma Irmandade cheia de gente? Então me digam porque só ele mata todo mundo? E o resto do povo fica de braços cruzados, pernas pra cima, tomando um vinho, é isso? É revoltante! O autor subestima demais a inteligência do leitor, é brutal. *respira fundo*
Para finalizar, algo que me incomodou bastante também foi o fato de durante todo o livro, estarmos centrados em uma história quase totalmente física, praticamente nada de paranormal acontece (tirando o fato de Ezio ter "herdado" as habilidade de um Assassino, por isso tudo é tão natural e fácil para ele) até o final. O final da história é totalmente metafísico. Maquemerda! Do nada o desfecho envolve deuses antigos e poder divino e vida eterna e sei lá o que mais. Francamente, depois de tudo que já escrevi acima, nem vou perder meu tempo aconselhando você a não ler este livro. Se depois de ler este texto, você quiser se arriscar, boa sorte. Talvez seja um pouco minha culpa por esperar demais de uma adaptação de um jogo, mas a história tinha tudo para ser boa, e não um dos piores livros que li no ano, quiçá, na década.

sábado, 22 de outubro de 2011

Perguntas sem Respostas



Gigantes de Aço se mostrou uma das grandes surpresas desse ano, onde simpatia e sólidas atuações compensam um roteiro manjado e cheio de clichês.

À luz dos acontecimentos do domingo passado, Gigantes de Aço (Real Steel, EUA, 2011) do diretor Shawn Levy, trouxe à tona, uma série de questões importantes sobre o rumo do esporte atual. No dia 16 de Outubro de 2011, semana passada, o piloto de corridas Dan Wheldon, da Inglaterra, morreu em um catastrófico acidente na última etapa da atual temporada da Fórmula Indy, em Las Vegas, Nevada.
Envolvido em um engavetamento que destruiu quinze carros, Wheldon que foi campeão da categoria em 2005 não resistiu aos ferimentos e morreu. Wheldon também foi bi-campeão da corrida de maior prestígio do automobilismo mundial, as 500 Milhas de Indianápolis em 2005 e neste ano, onde recebeu a bandeira quadriculada em primeiro lugar, após um dramático final, quando J.R. Hildebrand bateu na última curva da última volta, dando a vitória ao inglês.
Wheldon de 33 anos, deixou dois filhos pequenos, os pais e a esposa. Sua morte comoveu uma série de personalidades do esporte mundial, desde jogadores de futebol como o atacante do Manchester United, Wayne Rooney, aos colegas e companheiros mais próximos como o brasileiro Tony Kanaan e o atual campeão, Dario Franchitti. Seu funeral reuniu 1200 pessoas na Flórida este sábado.
Por ironia do destino, na noite anterior à tragédia, o atual pentacampeão da NASCAR, Jimmie Johnson, quase perdeu a vida em um grave acidente na corrida de Charlotte, válida pela 31ª corrida da temporada 2011. Por sorte, todos os mecanismos de segurança em seu carro e nos muros do traçado funcionaram, e Johnson saiu andando do veículo.
Tais acontecimentos colocaram em perspectiva, um dos esportes mais perigosos do mundo. Em Gigantes de Aço, no ano de 2020, o pugilismo já não existe mais, e os boxeadores foram substituídos por robôs de 450 kg, e 3 metros de altura. Charlie Kenton (Hugh Jackman) é um ex-boxeador que nunca foi lá grande coisa, que o advento das super-máquinas, tornou-se o mais próximo possível de um viciado em jogo, capengando e repleto de dívidas e agiotas em seu encalço.
Ao saber da morte de sua ex-esposa, Charlie se vê com um filho de onze anos chamado Max, para cuidar, pelo menos durante dois meses, até que seus tios assumam a custódia. O garoto é alucinado por Gigantes de Aço, e não demora para que ambos tenham algo em comum para compartilhar.
Depois de uma luta fracassada, Charlie e Max arrombam um ferro velho de robôs jogados fora e numa sequência inusitada, se deparam com 'Atom', um robô criado para apanhar dos robôs mais fortes em treinamento. Max decide ficar com o robô, e logo ambos descobrem que existe algo nele além do que eles poderiam prever.
O roteiro é uma cópia mais ou menos exata dos filmes Rocky, com alguma coisa de O Campeão com John Voight e A Luta pela Esperança de Ron Howard, estrelando Russel Crowe. Isso significa, simplesmente, que o filme é uma série de clichês rasoavelmente bem construídos, com uma estética parecida com a de Transformers e pouca originalidade.
Entretanto, o que não se previa, era o dueto Hugh Jackman e Dakota Goyo que interpreta Max. Muito se falou, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, dos treinamentos que Jackman teve com o lendário Sugar Ray Leonard, para realizar as sequências de luta do filme, mas pouco se falou do extraordinário talento de Goyo que dá um show em cena, mostrando-se como - quem sabe no futuro - um dos maiores atores mirins da atualidade.
Quanto a Jackman, é bom vê-lo mais magro e bonito que nos filmes do Wolverine, mas principalmente livre, leve e solto. Seu relacionamento e intereção com Goyo é algo raro no cinema atual, e tal relação constrói-se na base de uma ternura um tanto capengada também, como o próprio Charlie Keaton.
No geral, Gigantes de Aço é uma verdadeira farra. Uma montanha russa de emoções e entretenimentos que são propulsionados por um elenco afiado, uma direção segura e engraçada e ótimos efeitos especiais que fazem os robôs parecerem reais. E não somente agrada aos fãs do pugilismo, como os da Ficção Científica também. 'Atom', é uma jóia rara que lembra os robôs clássicos de Isaac Asimov, O Exterminador do Futuro e até mesmo O Gigante de Ferro. E o diretor, Levy, conseguiu com considerável mestria, dar-lhe personalidade, sem que os atores ao seu redor se perdessem em montanhas de metal retorcido.
Entretanto, deixando a diversão de lado um momento, Gigantes de Aço levante questões importantes não só sobre o pugilismo, mas sobre qualquer esporte. Se por um lado perdeu-se o componente humano que é essencial em qualquer modalidade esportiva, por outro, perdeu-se também as lesões causadas pelos socos na cabeça, os esteróides e outras coisas, mas não o agressivo mercantilismo que muitas vezes pode se tornar fatal.
O filme dá a entender que, apesar de tudo isso, o ser humano ainda é insuperável frente à máquina. Entretanto, vale lembrar que perdendo-se uma luta, perde-se apenas uma máquina. E máquina alguma é capaz de substituir uma vida, seja lá qual ela seja. Com os últimos acontecimentos da semana passada no mundo do automobilismo, o futuro do esporte é uma incógnita que deve ser analisada cuidadosamente. É mais seguro que esse tipo de esporte seja dominado por máquinas robóticas, ou, apesar do risco nada substitui um ser humano? Esse tipo de pergunta deve ser analisada com cuidado, caro leitor. E quando você terminar de lê-la, peço que olhe para a foto abaixo e demore um bom tempo antes de responder.

O acidente em Las Vegas, ocorreu na décima volta. 34 carros disputavam um prêmio de cinco milhões de dólares que seria dado ao vencedor da edição, enquanto os pilotos Dario Franchitti e Will Power disputariam o título entre si. No momento em que Sebastian Saavedra rodou na frente de um pelotão de carros a mais de 320 km/h, quinze carros envolveram-se em uma das maiores batidas da história da categoria. O carro de Will Power pode ser visto de lado no centro da foto, quando ele chocou-se contra o muro depois de decolar por cerca de 200 metros. Já o carro do inglês Dan Wheldon que faleceu no acidente, pode ser visto no canto superior esquerdo da foto, de lado e em chamas. Wheldon que chegou a ser resgatado de helicóptero não resistiu e morreu duas horas depois. Dario Franchitti sagrou-se campeão, já que a corrida foi cancelada. Como homenagem a Wheldon, os piltos da Fórmula Indy deram cinco voltas no circutio.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Círculo Fechado



Only Yesterday do diretor Isao Takahata é mais uma das muitas constatações do porquê do estúdio Ghibli se destacar como o melhor estúdio de animação do mundo.


Ao contrário de seu parceiro e sócio Hayao Myiazaki, Isao Takahata não possui a mesma projeção internacional, nunca ganhou um OSCAR, seus filmes não tratam de heroismo e fantasia, e ele não filma nada desde 2003. Aliás, de seus poucos trabalhos, a maioria fala das relações familiares e conflitos internos de personagens que vivem no Japão.
Apesar de ser impossível comparar os estilos dos dois diretores, é inegável que Takahata é um dos mais talentosos diretores de animação (e qualquer outro gênero ou vertente cinematográfica) a colocar os pés no Japão. Em 1986, ele e Myiazaki fundaram o estúdio Ghibli, cujo primeiro lançamento foi a animação Laputa, Castle in the Sky. Desde então, 'Ghibli' tornou-se sinônimo de qualidade em produções cinematográficas de qualquer gênero, fazendo frente às animações norte-americanas da Disney e Pixar. A consagração veio em 2003, quando A Viagem de Chihiro, dirigida por Myiazaki, recebeu o OSCAR de Melhor Animação.
Quanto a Takahata, seu trabalho mais conhecido é - ainda - Túmulo dos Vagalumes, uma brutal e magnífica narrativa de um casal de irmãos pequenos que vagueiam por um Japão devastado pela Segunda Guerra. Ainda que maravilhoso, Túmulo dos Vagalumes é uma das mais tristes animações de todos os tempos. Seu estilo realista e melancólico o caracterizou em seus trabalhos subsequentes, ainda que ele tenha voltado-se mais para o lado da comédia nos anos seguintes, do que para o drama pesadíssimo de sua primeira obra.
É o caso de Only Yesterday (Omohide poro poro, JAP, 1991). Completando agora vinte anos desde seu lançamento, Only Yesterday é a história incrivelmente simples de Taeko, uma moça de 27 anos que vive em Tóquio e trabalha num escritório, até no ano de 1982 (quando a história se passa) Taeko é invadida pelas lembranças da época em que tinha 10 anos.
Entretanto, de simples esta história não tem nada. Acompanhamos duas narrativas paralelas. Uma se passa em 1966 e vai narrando a trajetória da Taeko quando criança, e a segunda quando adulta.
Desde criança, ela sempre foi uma garota decidida, extrovertida, imaginativa e de forte personalidade. Ou seja, tudo o que a sociedade NÃO quer que ela seja. Isso se mostrava claramente evidente em seu relacionamento com seus pais. A figura materna ganha destaque, assumindo a forma de um pai severo e irredutível. Takahata mostra com todas as letras, as dificuldades de se viver em uma sociedade patriarcal, ainda mais nos anos 60.
Durante o decorrer dos acontecimentos, 17 anos depois, Taeko vai se lembrando dos eventos marcantes daquele ano específico. Como o primeiro amor, a primeira menstruação, a primeira briga com o pai, as dificuldades em matemática e todas as situações que marcam a vida de qualquer criança.
É disso que faz Only Yesterday uma animação diferente de tudo o que já se viu. Ainda que com muito humor, Takahata que também assinou o roteiro, apresenta com implacável realismo, as atitudes de uma criança de dez anos, e como sua perspectiva mudou quando ela se tornou mais velha.
Talvez esse seja o ponto principal que o difere do companheiro Myiazaki. Enquanto as personagens femininas do outro são extremamente heróicas e obrigadas a amadurecer numa velocidade alarmante diante das circunstâncias, no contexto em que são apresentadas, as personagens de Takahata fecham o círculo, comportando-se EXATAMENTE como uma criança. Não necessariamente sobrando espaço para finais felizes.
Agora mais velha, Taeko viaja para o campo - local predileto dela - para passar curtas férias do trabalho. Lá, ela conhece um rapaz relativamente bobo, mas de bom coração chamado Toshio que gradualmente se mostra a pessoa ideal para ela, ainda que ela não veja. E embora ela se depare de um portão que a leve para dentro de si mesma (um local assustador, no qual é preciso coragem para entrar), ela não estará sozinha em sua jornada.
Para um anime de vinte anos, a qualidade da animação é impecável. E não apenas isso, como há uma clara distinção entre os dois períodos narrativos. Quando no passado, os traços são finos, como uma aqualera, representação dos efeitos do tempo sobre as lembranças. Já no tempo presente, os traços são nítidos e cheios de detalhes.
Não se deve subestimar, Only Yesterday. Takahata lida com tudo com tanto humor e delicadeza, que até o momento do veredicto final, não temos ideia de quão sérios são os assuntos que estão sendo tratados na tela. Pois eles são muito sérios. E ao final das quase duas horas do filme, somos abalados em nossas bases, e tal impacto perdura durante muito tempo após a sessão.
Muitas crianças, em qualquer época e em qualquer lugar do mundo, passaram pelo que Taeko passou. Quando são muito imaginativas, hiperativas e possuém uma visão distinta do mundo são tratadas como 'estranhas', 'problemáticas', 'anormais'. As escolas não sabem lidar com elas, e muitas vezes os pais também não. Em casos mais extremos, dão remédios aos filhos para que fiquem mais comportados, limpando assim, os traços de genialidade e imaginação que essas crianças possuíam.
A representação mais clara disso, é quando Taeko tira 2,5 em Matemática (o que já deve ter acontecido com MUITA gente). Sua irmã começa a explicar os exercícios que ela errou, mas Taeko não opera baseada em fórmulas precisas, mas sim através da dedução lógica. Mas, obviamente, isso está errado e fora dos padrões. Então não pode. E numa conversa que ela ouve escondida, Taeko é chamada de 'anormal' pela própria mãe, por que ela simplesmente não se encaixa no perfil.
Essas mágoas foram levadas pelo restante da vida de Taeko, até o momento em que ela precisa confrontá-las. E nesse momento, todas as lembranças serão evocadas, e a acompanharão aonde ela deve ir. Dessa forma, Only Yesterday se mostra um anime singular. Simples, divertido e delicado, mas que irá arrancar seu coração pela raíz se você não tomar cuidado. Uma história sobre as dificuldades do amadurecimento, sobre a perda da inocência e das mágoas que são carregadas pela solidão do fato de ser o único diferente em um mundo tão igual.

domingo, 9 de outubro de 2011

A Humanidade Acima de Tudo

Depois de algum tempo sem nenhum post, cá estou eu em meu retorno triunfal (oi?). Antes de tudo quero avisar que o meu amigo Roberto - outro autor deste blog - está escrevendo resenhas para uma outro site além do Cinéfilos e Etc, o que quer dizer que as resenhas dele por aqui vão diminuir um pouco. Quando souber direitinho o site, aviso vocês aqui.


Devo dizer que tenho o maior respeito por aqueles que exercem a inteligência militar, seja no tempo da guerra, seja no tempo da "paz". Os chamadas agente de campo que trabalham na área da inteligência, conhecidos popularmente como espiões, são heróis para seus países, que sacrificam sua própria identidade em prol de beneficios táticos e estratégicos para seus respectivos países. Eu sou um grande fã dos espiões e de suas histórias e é disso que quero falar hoje.


Embora nunca tenha lido nenhuma história da série de espionagem mais famosa de todos os tempos - me refiro aqui, é claro, à história escrita pelo jornalista e ex-espião britânico, Ian Fleming, que criou os famosos agentes double zero da série 007. Sim, gosto de espiões e nunca li nada de Bond, James Bond (estou tomando providências para mudar isso). Mas nem só de Bond vive a espionagem. Já li os dois primeiros livros da série escrita por Robert Ludlum, que se tornaram bem famosos ao se tranformar em filmes: me refiro, é claro, à série Bourne. Mas nem só de ficção vive a espionagem. A inteligência militar é um ramo que existe desde que as guerras existem. O simples fato de alguém tentar descobrir o que seu inimigo está tramando pode ser considerado espionagem e, por isso, hoje irei falar de uma história real.


Baseado em extensas pesquisas históricas, inúmeras visitas aos arquivos militares da antiga Tcheco-Eslováquia e pesquisas sem fim com os sobreviventes, Rudolf Ströbinger publicou em 1967 o romance A-54 - O Espião das Três Faces (Stopa Vede K Renému, no original em tcheco) que conta a história de Paul Thuemmel, o espião conhecido como A-54, que durante toda a Segunda Guerra Mundial passou incessantemente informações sobre da alta cúpula nazista aos serviço de inteligência tcheco e, posteriormente, ao britânico.


Alemão, filho de um padeiro de um vilarejo e amigo pessoal de Himmler - um dos principais líderes da cúpula de Hitler e chefe da polícia militar alemã, a SS - Thuemmel assumiu vários nomes, tais como Dr. Steinberg, Dr. Holm, Baer, Rabe e, posteriormente, "traidor X" quando se descobriu o vazamento de informações da elite nazista. Alemão orgulhoso e possuidor da honorária Insígnia de Ouro do Partido Nazista, não se sabe o que levou A-54 a passar informações para o serviço de inteligência tcheco. Ele simplesmente se ofereceu para fornecer informações em troca de dinheiro antes do início da guerra (mais precisamente em 1937) e continuou a fazê-lo até ser capturado e preso pela Gestapo - a polícia secreta alemã.


Thuemmel foi denominado A-54 pela liderança do serviço de inteligência tcheco, e posteriormente recebeu codinomes como René e Eva, entre muitos outros. Por meio de seu contato com o Coronel Moravec - em exílio em Londres depois da captura da Tcheco-Eslováquia pelos nazistas - passou informações cruciais à Inglaterra e à União Soviética. Inclusive, um dos líderes do MI6 (Serviço Britânico de Inteligência) afirmou que: "A-54 é um agente sob cujas palavras os exércitos marcham", devido à exatidão de suas informações, quase sempre ultra-secretas e de imenso valor estratégico.


Paul Thuemmel, o agente A-54, foi preso pela Gestapo em 1942. A Gestapo tentou utilizá-lo para prender outros inimigos do regime, sem sucesso. Especula-se que foi graças a informações de A-54 que a Gestapo conseguiu se aproximar do Capitão Václav Morávek, membro de um grupo de resistência à ocupação nazista na Tcheco-Eslováquia, mas seu envolvimento nunca foi provado. Em 1943, Thuemmel foi enviado ao presídio da polícia em Theresienstadt, sob o nome de Peter Toman. Ao que parece, ainda tinha amigos poderosos que tentavam protegê-lo de ser executado como traidor. Misteriosamente, em 1944, os documentos sobre o caso de A-54 foram retirados dos arquivos nazistas para serem queimados mais tarde. Thuemmel ficou preso sob nome de Peter Toman até 1945, quando foi executado por fuzilamento.


Ao final do livro, Ströbinger se pergunta o motivo que levou Thuemmel a trair seu país.Ao entrar para o Partido nazista era uma fiel colaborador e parecia acreditar piamente nas diretrizes que foram sendo impostas pro Hitler. E, além disso, subiu muito na hierarquia militar, apesar de ser civil. Ele cobrava pelas informações que passava? Sim, mas deve-se considerar os gastos para exercer a atividade de espião duplo (subornos, presentes, etc), além, é claro, de ter que manter uma certa imagem que era esperada de um respeitável membro da cúpula alemã.


Mas o que realmente levou Paul Thuemmel, respeitável membro do Partido Nazista, portador da Insígnia de Ouro do Partido, amigo pessoal de Heinrich Himmler - um dos homens mais poderoso do Reich -, membro da cúpula alemã, a trair seu país e os ideais que defendia? Era conhecido pelos que conviviam com ele que tinha um profundo e inexplicado ódio da SS. Parecia acreditar também que Hitler perderia a guerra. Ou será que ele previra os rumos que o Nazismo estava tomando e optou por tentar minimizar os danos, sabotando sua própria nação? Ele valorizara mais a humanidade do que sua lealdade à Alemanha? Seria esse o motivo? Não se sabe. Muitas perguntas permanecem sem resposta com a morte de A-54. Mas é fato que, sem a ajuda de Thuemmel, talvez a guerra de Hitler tivesse terminado de forma diferente. No que se refere a isso, tudo o que podemos fazer é agradecer.

domingo, 4 de setembro de 2011

Império dos Macacos



Planeta dos Macacos, A Origem,
é o reflexo de uma geração tecnológica e cujos maiores temores, vêm da natureza ao seu redor.

Quando o primeiro Planeta dos Macacos, estrelando Charlton Heston e Roddy McDowall foi lançado em 1968, ele refletia - assim como todo filme de sua época - as preocupações de uma geração filha do átomo, aquela que dormia a noite sob o manto negro de um holocausto nuclear, ou da possibilidade de um. Nele, o coronel George Taylor, após vaguear durante centenas de anos no espaço, aterrissa em um planeta habitado por símios inteligentes, que escravizaram a raça humana, menos desenvolvida.
Contemplando os destroços da antiga Estátua da Liberdade, Taylor descobre que o planeta se trata da própria Terra, dizimada por uma guerra atômica, onde a maior parte da raça humana foi destruída, e o mundo foi habitado pelos predecessores mais desenvolvidos: os macacos. Tais preocupações proeminentes da Guerra Fria (que gerou grandes clássicos da ficção científica como Vampiros de Almas e O Dia em Que a Terra Parou) foram substitúidas por temas mais modernos, como a manipulação genética e a iminência de uma praga mundial, consequencia da superpoluação que o nosso planeta enfrenta, em O Planeta dos Macacos, A Origem (Rise of the Planet of the Apes, EUA, 2011).
Na nova produção - que procura esquecer a vergonha dirigida por Tim Burton em 2001 - novamente vê-se um retrato de uma geração tencológica e inovadora: a maquiagem que antes cobria o rosto dos atores na produção original (e na de 2001 também), foi substitúida pela técnica da captura de movimentos, extensivamente usada em Avatar, e pioneirizada em O Senhor dos Anéis.
Na nova narrativa, Caesar é um chimpanze cuja mãe foi usada em experimentos genéticos na tentativa da descoberta de uma cura para o alzheimer, outra das doenças que afetam o mundo moderno. A ideia era criar um vírus capaz de regenerar as células cerebrais. Mas o que os cientistas e principalmente Will Rodman (James Franco), encarregado da pesquisa não esperavam, era que o vírus não apenas regeneravam as células cerebrais, como aprimoravam as funções cognitivas. E que tais mudanças podiam ser carregadas geneticamente, de mãe para filho.
Logo Will descobre que Caesar não apenas é mais inteligente do que os outros símios, mas como também aprende numa taxa mais rapida do que o próprio ser humano. O cientista então adota o macaco ainda bebê e o cria como filho: uma relação perigosa que terá consequências catastróficas.
A relação entre humano/macaco, na obra original maravilhosamente apresentada por Heston e Kim Hunter, foi substituída pela não menos impressionante interação entre James Franco e Andy Serkins, que aqui, interpreta o chimpanzé que será o catalizador do próximo estágio evolutivo. Com a técnica que o próprio Serkins consolidou, neste filme concretiza um feito extraordinário: transformar um personagem computadorizado no eixo que sustenta todo o filme.
Sem Serkins, A Origem não seria metade do filme que foi. A cada mudança da trama, são acrescentadas mais camadas de complexidade emocional no personagem de Caesar: após um momento de fúria num pequeno subúrbio de São Francisco, Caesar é confinado num tipo de campo de concentração disfarçado de zoológico. Lá ele aprende a se comunicar com os outros macacos, e junto deles começa a orquestrar um plano de fuga.
Fora a sequência de ação final, que é bem orquestrada pelo diretor Rupert Wyatt, o filme não tem consistência suficiente sequer para se mostrar plausível, muito menos para prender o espectador em sua trama. Daí que entra Serkins, absolutamente soberbo, cujo mérito transcende a habilidade do diretor ou dos roteiristas encarregados, e se torna algo unicamente do ator. E com olhos e feições assustadoramente humanas, ele consegue criar um personagem complexo e profundo, que embora não seja humano, é carregado com uma humanidade e - principalmente - intelecto para se tornar o Caesar dos tempos romanos: aquele que dará o próximo salto na civilização.

domingo, 21 de agosto de 2011

É Grande, Feio e Vem Vindo na Nossa Direção




Super 8 marca a primeira parceria do diretor J.J. Abrams e do produtor Steven Spielberg. Com um pouco de sorte, essa parceria se extenderá por muitos outros anos.



Crescer é um processo difícil na vida de qualquer criança. Os hormônios, as mudanças físicas, as garotas, a sensação de estar perdido em um universo muito maior do que você mesmo. Isso tudo se torna muito mais complicado com o desaparecimento da figura materna. Figura inexistente em Super 8 (Super 8, EUA, 2011), nova produção cinematográfica dirigida por J.J. Abrams e produzida pelo seu mentor, Steven Spielberg.


Joe Lamb (Joel Courtney) é um garoto de uns doze anos que acabou de perder sua mãe em um acidente numa indústria química da pequena cidade de Líllian. Quatro meses depois, o verão chega anunciando as férias e Joe prepara-se para ajudar seu melhor amigo Charles (Riley Griffiths) a terminar um filme de zumbis.


Durante uma das filmagens, Charles convida a jovem e bela Alice Dainard, (Elle Fanning, a muito melhor e mais bonita irmã de Dakota Fanning) que também não possui mãe, para filmar uma cena numa estação de trem. Entretanto o que parece ser apenas uma noite divertida entre amigos se torna numa das sequências mais espetaculares da história do cinema quando uma caminhonete entra nos trilhos e dá de frente no trem que está passando. Trem que, conforme grupo de amigos composto por 6 espetaculares atores mirins descobre, está carregando alguma coisa misteriosa.


Não é muito depois disso que estranhos eventos começam a acontecer na pequena cidade de Líllian. Motores, cabos de energia elétrica e pessoas estão desaparecendo, buracos estão surgindo dentro de garagens e o delegado Jackson Lamb (Kyle Chandler), pai de Joe, tenta resolver a situação enquanto a força aérea americana - detentora da carga do trem que descarrilhou - se nega a dar explicações.


Super 8 é o tipo de filme que lembra as antigas produções cinematográficas de ficção científica dos anos 70 e 80. Bons tempos em que Os Gunnies, E.T. O Extraterrestre, e por aí vai, enchiam as telas dos cinemas com um grupo extraordinário de crianças que se viam no meio de uma situação extraordinária.


Aqui não é diferente. O grupo de garotos composto por Joe (o corajoso), Charles (o mandão), Alice (a brava), Cary (o piromaníaco interpretado por Ryan Lee), Martin (o medroso que chora e vomita o tempo todo estrelado por Gabriel Basso) e Preston (o razoavelmente inteligente, interpretado por Zack Mills), vê seu mundo mergulhar no caos, e eles - somente eles - serão capazes de salvar o mundo da coisa grande e feia que está aterrorizando sua cidade.


Abrams mantém seu estilo de ritmo alucinante apresentado em Star Trek e Missão Impossível III, os outros dois filmes de sua direção. Entretanto, ele soube dozar as cenas de ação, com implacáveis sequências de suspense em que os efeitos sonoros dão a entender que existe alguma coisa muito enfurecida vindo na nossa direção.


Os efeitos visuais são espetaculares, ainda mais para um filme com um orçamento de 50 milhões de dólares (o que para um filme desse tamanho é pouco), cortezia da ausência de grandes estrelas - o que é bom - e a falta de necessidade de construção de grandes cenários, já que grande parte das cenas são filmadas ao ar livre.


A música de Michael Giacchino é a sua melhor composição desde UP Altas Aventuras, que lhe rendeu o OSCAR. Além de proporcionar impagáveis momentos de suspense e ação, também há nela uma beleza singular que carrega o espectador durante os momentos emocionalmente carregados da obra.


É verdade contudo, que o filme às vezes tende a desrespeitar as leis da física, construíndo sequências típicas do cinema hollywoodiano, sem se importar muito se a relidade concorda ou não. A narrativa também apresenta milhões de momentos de clichê, que, apesar de serem bem construídos, podem irritar um pouco os espectadores. O próprio estilo de direção de Abrams se assemelha tanto ao de seu ídolo, Spielberg, que não se sustenta como um estilo próprio. O filme poderia ser dirigido por qualquer um dos dois, que não daria para notar a diferença.


Mas apesar disso, todos os personagens são ótimos, fazendo com que você torça por cada um deles. Os momentos mais intensos de ação são recheados com o mesmo humor que permeia toda a obra, elevando o espírito do filme. E no final, tudo gira em torno de uma história de amor, e das dificuldades do crescimento, ainda mais com a ausência da figura materna, tão especial e impressindível na vida de qualquer um de nós.


Dessa forma, é inegável que essa parceria entre duas das mentes mais 'joviais' que já adentraram os portões do cinema americano, rendeu um dos melhores, mais divertidos e emocionantes filmes do ano. O tipo de obra que faz você se sentir feliz por ter ido ao cinema, sem se importar muito com discussões filosóficas e sigificados profundos da narrativa. E apesar de sua falta de respeito com as leis da física, dos clichês, ou mesmo do final que deixou muitos americanos desapontados, J.J. conseguiu aqui, o que muitos diretores almejam e nem sempre conseguem: deu aos seus personagens...vida.

sábado, 20 de agosto de 2011

A Maldição da Lua Cheia



Sim, Teen Wolf. Exatamente isso que você, caro leitor, está pensando: lobisomens. Acreditem em mim, não fiquei muito mais animado do que você está neste momento em que começa a ler esta resenha. Apesar de assistir a muitas séries, tenho a tendência a no mínimo escolher, de longe, as bem recomendadas e bem criticadas. Não é o caso deste lançamento. Para falar a verdade esta série me foi totalmente contra-indicada sobre todos os aspectos. Por motivos puramente acadêmicos (uhum, Cláudia, senta lá) decidi sacrificar algumas horas do meu suado e idolatrado final de semana em pról do estudo mais aprofundado de séries metafísicas, em especial a esta que se dedica exclusivamente (pelo menos até agora) à mitologia do lobisomem - metade homem, metade lobo.


Antes de iniciar falando sobre o contexto e roteiro, devo colocar uma questão importantíssima: porque diabos lobisomens não suportam usar camisas/camisetas? Alguém aí sabe? Caso alguém possua esse tipo de informação ultra-confidencial, favor me contar nos comentários. Grato.


Questão colocada, vamos à série: o protagonista desta série é o jovem Scott McCall - interpretado pelo ator Tyler Posey, que cá pra nós não é grande coisa em termos de atuação (adendo 1: deve ter sido escolhido pela cara bonitinha, pois realmente está longe de ser bom ator em 90% do tempo) -, um garoto de 16 anos que é ignorado por quase todos em sua escola, apesar de fazer parte do time de Lacrosse da escola. Sim, Lacrosse é o esporte oficial desta série (ponto positivo pela originalidade, já que nunca sequer tinha visto alguém jogando). É verdade que Scott é reserva do time, e tem asma, mas mesmo assim não tem motivo para o isolamento do garoto. É um daqueles típicos adolescentes isolados pelos grupinhos populares. Voltando: seu único amigo é Stiles - interpretado por Dylan O'Brien que provavelmente é o ator mais importante para o desenrolar da série, pelo simples fato de fazer o personagem mais divertido que vi em anos, em qualquer série de TV - um jovem sarcástico, irônico e de língua afiada, que também é reserva do time de Lacrosse e é apaixonado desde a 3ª série pela líder de torcida popular que namora o capitão do time da escola (respectivamente: Holland Roden interpretando Lydia e Colton Haynes interpretando Jackson). Logo no começo do episódio vemos Scott e Stiles invadindo uma floresta em busca de um corpo que a polícia está procurando. Por ser filho do xerife, Stiles soube em primeira mão que apenas metade do corpo de uma garota havia sido encontrado. Eles buscam a outra metade apenas pelo prazer de poder olhar um cadáver de perto. Confusões à parte, se separam na floresta escura e Scott acaba sendo mordido por um animal enorme, que depois viemos a saber, não era um lobo comum.



A partir desse ponto, claro, começa o conflito da série. Com seus novos poderes de lobisomem, Scott vira titular do time de Lacrosse (com velocidade sobrehumana e agilidade de um predador, até eu) além de conseguir impressionar a nova garota que se mudou para a cidade e acaba de entrar na escola, chamada Alisson Argent (Crystal Reed). Com o passar dos dias, Scott percebe que não é tão fácil ser lobisomem quanto Jacob faz parecer: se sua pulsação sobe por algum motivo - raiva, excitação sexual, nervosismo, ansiedade - começa a se transformar quase que imediatamente, colocando as garrinhas de fora, com direito a orelhas pontudas, rosto peludo, caninos grandes e olhos amarelos. (Adendo 2: admito que a maquiagem da série não convence na transformação, além de alguns dos efeitos especiais ficarem meio estranhos). Enfim, para lidar com essas transformações fora de hora, contamos com Derek Hale (o nada mau Tyler Hoechlin, que melhora com o decorrer dos episódios), o lobisomem que encontra Scott na floresta nos primeiros dias e o protege de um trio de caçadores que tentavam eliminá-lo. Este grupo de caçadores de lobisomens é liderado por Argent (personagem sem primeiro nome que é interpretado pelo ótimo JR Bourne) ao qual posteriormente se junta Kate (a incrível e linda Jill Wagner), respectivamente o pai e a tia da mocinha por quem nosso protagonista lupino se apaixonou. É mole ou quer mais?



Essa é a salada mista na qual se desenvolve a história. Reclamações, elogios, lágrimas? Claro que a história possui inúmeras reviravoltas, mas como já reclamaram que costumo spoilear muito nas minhas resenhas, paro de contar sobre a história por aqui mesmo.


Agora você me pergunta, caro leitor, o motivo de eu fazer uma resenha sobre uma série confusa como essa, que nem ao menos tem bons efeitos e maquiagem no que diz respeito a transformações em lobisomem, que meio que é o tema central. E eu te respondo, a atuação dos coadjuvantes. Em especial as atuações de Dylan O'Brien e Melissa Ponzio (Melissa McCall, a mãe de Scott). Dylan como Stiles é genial. Traz uma quantia infinita de humor à série, assim como comentários sarcásticos e uma emoção que falta ao protagonista, sem falar nos diálogos divertidíssimos e extremamente afiados. Não me lembro de nos últimos anos ter visto personagem mais divertido em qualquer outra série. A série em si é engraçadíssima. Apesar de se classificar como "horror, drama, thriller and comedy", a série é totalmente voltada para a comédia, pelo menos em relação aos diálogos e relacionamentos entre os personagens adolescentes. Outra coisa que vale destacar é a ótima química entre Tyler Posey e Crystal Reed, como Scott e Alisson. É um caso tão puro de amor platônico (não unicamente, apesar de nunca chegarem a consumar a relação) que emociona e cria aquela pontinha de inveja nos espectadores solitários e solteiros (leia-se #foreveralone's). É um romance tão bonito que, como se diz na blogosfera, nos faz ter vontade de vomitar arco-íris.


Para finalizar, deixe-me dizer que apesar de não ser uma das melhores séries que já vi, mas também não é de longe a pior. Creio até que tem tudo para ser melhor que algumas séries pseudo-cults e bestas que tem por aí. E a segunda temporada já foi confirmada, além, claro, das seis indicaçõs ao Teen Choice Award. E devo dizer, fazia muito tempo que não passava tantas horas bem gastas rindo sozinho em frente à tela do meu computador por causa de um seriado. Então vamos aguardar a segunda temporada para ver se, de fato, a lua cheia é uma benção ou uma maldição.


Título original: "Teen Wolf - First Season". Ano: 2011. Nacionalidade: EUA. Criado por: Jeff Davis. Roteiro de: Jeff Davis, Monica Macer, Jeff Vlaming, Daniel Sinclair. Produzido por: Tim Andrew, Keith Birkfeld, Christopher Ottinger, Jeff Vlaming. Estrelando: Tyler Posey, Crystal Reed, Dylan O'Brien, Tyler Hoechlin, Rolland Hoden, Colton Raynes, com JR Bourne, Melissa Ponzio, Jill Wagner, Liden Ashby, Orny Adams e Ian Bohen. Número de episódios: 12. Resenha escrita por: Guilherme R. Aleixo. Nota: 7,0/10.