sábado, 24 de novembro de 2012
Contos de Mestre
domingo, 26 de junho de 2011
Cadillac sem motor
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
É Pra Você!
Em Celular, Stephen King demonstra novamente toda a crueldade que sua mente sádica pode imaginar: é genialmente sangrento
Onde você estava no último 1º de outubro, por volta das 15 horas? E mais importante ainda: o que estava fazendo? Se sua resposta for “estava falando ao celular” e você for um dos personagens deste thriller do aclamado Stephen King, então, bem, você agora é um zumbi insano e assassino que ataca sem qualquer restrição.
O livro Celular (Cell, lançado nos EUA em 2006) conta a história do desenhista Clay Riddell, que está em Boston em viagem de negócios com o intuito de vender uma história em quadrinhos que escreveu. Acontece que depois de uma reunião bem sucedida, Clay acaba presenciando um bando de pessoas que se atacam pelas ruas, usando qualquer arma, incluindo os próprios dentes, para matar uns aos outros. Tudo o que têm em comum é que todos estavam usando celulares naquela sangrenta tarde de 1º de outubro. Fica claro que algo denominado Pulso foi transmitido para todos os celulares e, dessa forma, todos que os estavam utilizando acabaram infectados.
A surpresa de ver as pessoas se atacando na rua, o sangue e os acidentes, logo é substituída pela perplexidade e pelo medo quando um engravatado ataca a ele e ao homem ao seu lado, chamado Tom McCourt, com um cutelo ensanguentado. Felizmente ambos conseguem sobreviver ao ataque e uma ligação de amizade e companheirismo nasce entre eles, nesse novo mundo apocalíptico.
Logo, tanto Clay quanto Tom partem para o estado do Maine, acompanhados da adolescente Alice que surge para lhes fazer companhia, em busca da ex-mulher e do filho de Clay. À viagem pelos cenários catastróficos de acidentes e cadáveres ainda é mais leve do que outras obras de King. As imagens ao ar livre e de caminhadas pela noite tornam menos carregado o decorrer da história.
Há uma inversão de papéis notável, pois os normies – aqueles que não foram afetados pelo chamado Pulso – passam a viajar e migrar apenas durante a noite, quando os fonáticos – os insanos assassinos criados pelos telefones portáteis – estão dormindo em bandos ao som das mais bregas músicas populares. Ao que parece, os zumbis desenvolveram uma mente coletiva, uma espécie de relação telepática entre si e, por isso, passam a viver em bandos. Mas é claro que isso não os impede de matarem uns aos outros por bolinhos recheados.
Logo se unem a mais alguns sobreviventes, como o jovem Jordan, um gênio de computador de 12 anos que cria uma teoria completa sobre o Pulso, e continuam seguindo para o norte, dessa vez por pressão doas fonáticos. A partir de então surge a figura do Homem Esfrangalhado ou Reitor de Harvard, um zumbi que representa a mente coletiva do grupo e que passa a guia-los até uma área isolada para o que parece ser uma execução pública.
É inegável que Stephen King tem um talento majestoso no que diz respeito a criar ficção de terror, tanto que é conhecido mundialmente como o Mestre do Terror. E Celular não deixa de ser uma obra sua. Com um final característico de seus romances, a história faz com que o leitor fique preso à ela, desesperado para saber a conclusão, para saber onde toda a destruição e morte irão terminar. Só sugiro que não se comece a ler este livro de madrugada, ainda mais se sua casa faz barulhos misteriosos durante a noite, como a minha. Você nunca mais irá ver um telefone da mesma forma. Garanto apenas uma coisa: você nunca mais irá atender seu celular sem pensar duas vezes.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Corações na Atlântida
Filme do diretor Scott Hicks e baseado num romance de Stephen King, conta uma história de um lugar mágico e antigo dentro do coração humano.
Lembranças de um Verão (Hearts in Atlantis, EUA, 2001) é baseado num romance de Stephen King, chamado Hearts In Atlantis, título original do filme. Na história que acompanha somente um breve período da obra original, Bobby Garfield, interpretado por Anton Yelchin (Star Trek) e David Morse (À espera de um Milagre) relembra seus momentos de infância em uma pequena cidade dos EUA, quando ele e sua mãe viúva encontram um homem estranho, Ted Brautigan (Anthony Hopkins) que está se ospedando no andar de cima de sua casa.
Extremamente culto e caloroso, Brautigan assume a figura paterna que Bobby nunca teve. Figura, que aliás é constantemente degradada por sua mãe (Hope Davis). Contudo, por trás de uma aparência triste e serena, Brautigan, ou simplesmente Ted, esconde um segredo grande demais para a compreensão do garoto, ou de sua melhor amiga, Carol (Mika Boorem) ou de sua mãe. Um segredo que irá acarretar uma série de acontecimentos que irá mudar a vida de Bobby para sempre.
Como qualquer criança de sua idade, Bobby vê o mundo com olhos em dourado. Característica que é amplamente explorada pelo diretor Scott Hicks, aclamado pelo seu trabalho em Shine - Brilhante de 1996. No mundo do começo da década de 60, ele mostra um universo diferente. Caloroso, onde dias podem durar uma eternidade. Assume constantemente o olhar do menino, que aos seus onze anos de idade, vive o último ano de sua infância.
Mas a magia está além dos olhos infantis de Bobby, Carol e seu outro amigo Sully, que no começo do filme é apresentado como um herói de guerra que foi morto em um trágico acidente de carro. Bobby, interpretado adulto pelo fabuloso David Morse, começa a relembrar os momentos mais marcantes daquele breve verão, no qual ele conheceu Ted e nessa época,.a magia já se foi, restando somente um sinal ou passagem.
Entretanto, a escuridão circunda a vida daquele misterioso homem, que rapidamente cativa o menino (e vice-versa). Uma sombra na forma de carros grandes e chamativos, normalmente pretos e barulhentos, e também na figura de homens vestidos de sobretudos pretos e chapéus. São chamados "Homens Ordinários", mas na verdade são os "Homens Baixos", apresentados na história de King de uma forma muito mais assustadora. E é na figura destes homens que Bobby irá descobrir, aos poucos, a identidade secreta em Brautigan, capaz de presenciar eventos inexplicáveis, que normalmente só pertenceriam à imaginação da criança.
A fotografia do Polonês Piotr Sobocinski que faleceu no mesmo ano do lançamento do filme, funciona na forma de cores douradas e quentes durante toda a infância de Bobby, assumindo tons tristes e sombrios em sua fase adulta, como se a magia aos poucos desaparecesse da vida das crianças para dos adultos. O constante uso de espelhos, remete aos reflexos da identidade de Bobby e de Ted, assim como passagens para um lugar parecido com o nosso, mas não exatamente igual. O lugar de onde Ted vêm.
A música, de Mychael Danna é triste, serena e nostálgica, relembrando a época da inocência que Bobby pensa com tanto carinho. As lembranças de seu primeiro amor, Carol, e de seu primeiro amigo adulto, Ted, que lhe proporcionou algo mais do que uma simples amizade.
É um filme delicado e nostálgico. Seja nos tons dourados da fotografia, nos pianos e flautas da trilha sonora, na atuação serena e profunda de Anthony Hopkins e Anton Yelchin que demonstra maturidade e sinceridade em um difícil papel. O mesmo válido para Hope Davis, que interpreta sua mãe, uma mulher revoltada e desatenta para as dificuldades do amadurecimento de seu filho.
As origens de Ted Brautigan permanecem um mistério tanto para Bobby quanto para o espectador. Contudo, nas histórias de King, normalmente conectadas umas com as outras, acabam tornando-se mais evidentes, seja em Lembranças de um Verão, em A Torre Negra, ou qualquer outra história em que os Homens Baixos se escondam nas sombras e becos escuros.
Contudo, algo que se torna claro durante o decorrer dos 100 minutos da obra-prima de Scott Hicks, é que Ted não é daqui. E em seu contato com Bobby, ambas as suas vidas serão mudadas de uma forma que nenhum dos dois imaginou ser capaz. O lugar de onde Ted veio, e para onde vai, é longe e antigo. É o lugar para onde o filme nos leva. Um lugar mágico e esquecido pelo tempo, onde os olhos das crianças enxergam com maior intensidade. Um lugar como a Atlântida deve ter sido.
"Lembranças de um Verão". Título original: "Hearts in Atlantis". Nacionalidade: EUA Dirigido por: Scott Hicks. Roteiro de: William Goldman - baseado no romance "Hearts in Atlantis" de Stephen King. Produzido por: Kerry Heysen. Estrelando: Anthony Hopkins, Anton Yelchin, Hope Davis e David Morse. Música de: Mychael Danna. Duração: 101 min. Resenha escrita por: Roberto F. F. Causo Nota: 10/10

