Mostrando postagens com marcador A Rede Social. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Rede Social. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de dezembro de 2010

Rumo ao Globo de Ouro

5 filmes foram indicados ao Globo de Ouro, 2011, mas somente um vencerá. Confira abaixo os indicados com análise de qual é o melhor e qual é o favorito ao prêmio.

Melhor filme

- Cisne Negro.
O diretor Darren Aronofsky é considerado um dos mais importantes e conceituados diretores contemporâneos em Hollywood. Seus filmes normalmente contém uma carga alta de situações sociais complexas, sexo, drogas e outras coisas. Ano passado ele indicou Micky Rourke ao OSCAR de melhor ator, com seu filme O Lutador. Este ano ele lançou o drama psicológico Cisne Negro com Natalie Portman, Vincent Cassel e Mila Kunis (a Jackie da série That 7o's show). O filme é centrado na personagem de Portman, uma bailarina, e o confronto com sua rival, Mila Kunis. Ambicioso como sempre, Aronofsky criou uma das obras mais controversas e interessantes do ano. O filme recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro, uma de melhor diretor. Portman e Kunis receberam indicações nas categorias de atriz e atriz coadjuvante, o que, para os fãs da série de comédia sobre os garotos dos anos 70, é muito interessante. O filme ainda não estreou no Brasil, portanto não é avaliado. Infelizmente, com os gigantes A Origem e A Rede Social, o cisne navega em águas turbulentas.

- O Vencedor.
Desde Touro Indomável de Martin Scorcese, estrelando Robert DeNiro, que um filme sobre pugilismo não recebia tamanha atenção do público e críticos. David O. Russell também nunca foi conhecido por fazer filmes que agradassem os membros da Academia, mas O Vencedor, com Mark Whaldberg surpreendeu a muitos. O filme estreou bem, recebeu ótimas críticas e emplacou 6 indicações ao Globo de Ouro. A obra narra a tragetória de Micky Ward, lutador e seu irmão que o treinou, durante a campanha esportiva nos anos 80. Baseado em uma história real, o filme deverá receber a maior parte de seus prêmios por parte de Bale, que mudou fisicamente de uma forma impressionante e tem a chance de conseguir sua primeira indicação ao OSCAR, assim como o Globo de Ouro foi sua primeira. Contudo, como filme ou direção, O Vencedor deverá ser nocauteado.

- A Origem.
A Origem, a nova superprodução do diretor Christopher Nolan, confirmou sua condição de renovar o gênero dos filmes de grande orçamento, com um roteiro complexo, inteligente e intrigante, repleto de ação e detalhes minuciosos, como é característico de Nolan. A trama fala de um ladrão que precisa invadir a mente de um indivíduo para plantar uma ideia num futuro não muito distante. Após ser esnobado pela Academia com O Cavaleiro das Trevas, Nolan parece ter definitivamente emplacado sua obra prima na cabeça dos críticos e conquistou suas primeiras indicações ao Globo de Ouro, e provavelmente ao OSCAR. O filme é impressionante, com imagens belíssimas e um conceito interessantíssimo. Contudo, Nolan falhou ao ousar mais o conceito visual dos sonhos. Podia ter criado (com a ideia que ele mesmo teve) muito mais do que criou. Ainda assim, o filme é um dos favoritos.

- O Discurso do Rei.
Drama inglês dirigido por Tom Hooper com Colin Firth, O Discurso do Rei recebeu maciça repercussão crítica durante sua campanha de estréia e é o filme com o maior número de indicações ao Globo de Ouro: 7. É o tipo de filme que tem cara e vencedor de OSCAR, e corre na frente de filmes como Cisne Negro e O Vencedor. O filme acompanha a tragetória do rei George VI, sua ascenção ao trono e o discurso que o fez merecedor dele. Firth tem sérias chances de ganhar seu primeiro grande prêmio, e o filme é um dos favoritos ao Globo de Ouro, mas não deve levar. O filme ainda não estreou no Brasil.

- A Rede Social.
Filme que narra a história da criação da rede social Facebook e seus fundadores, A Rede Social é, definitivamente, o favorito a todos os prêmios dessa temporada. Dirigido brilhantemente por David Fincher e com um roteiro ainda mais brilhante de Aaron Sorkin, a obra vêm recebendo todas as atenções das críticas e também lidera em quantidade de prêmios e indicações. O filme vale isso, mas não agradará a todos do público, devido à enorme quantia de diálogos que conduzem o filme, ao contrário de obras como A Origem, repletas de ação. David Fincher provou ser um dos diretores mais talentosos de Hollywood, mas sofreu grandes injustiças anteriormente, como em O Curioso Caso de Benjamin Button e Zodíaco, o qual devia ao menos ter recebido indicações. Isso significa que pode dar zica dia 16 de Janeiro. Caso isso aconteça, Nolan é o candidato mais provável ao prêmio de melhor direção. Mas a história do facebook leva melhor filme com certeza.

Lista de indicados e quem deverá vencer:

Melhor filme - Drama
- Cisne Negro
- O Vencedor
- A Origem
- O Discurso do Rei
- A Rede Social

Quem ganha: A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor filme - Comédia ou Musical
- Alice no país das maravilhas
- Burlesque
- Minhas mães e meu pai
- Red - Aposentados e perigosos
- O Turista

Quem ganha: Minhas mães e meu pai
___________________________________________________________________
Melhor ator - drama
- Jesse Einsenberg (A Rede Social)
- Colin Firth (O Discurso do Rei)
- James Franco (127 Horas)
- Ryan Gosling (Blue Valentine)
- Mark Whaldberg (O Vencedor)

Quem ganha: Colin Firth - O Discurso do Rei
___________________________________________________________________
Melhor ator - comédia ou musical
- Johnny Depp (Alice no país das maravilhas)
- Johnny Depp (O Turista)
- Paul Giamatti (Minha versão para o amor)
- Jake Gyllenhall (O Amor e outras drogas)
- Kevin Spacey (Casino Jackey)

Quem ganha: Johnny Depp - tanto faz
___________________________________________________________________
Melhor atriz - drama
- Halle Barry (Frankie e Alice)
- Nicole Kidman (Rabbit Hole)
- Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
- Natalie Portman (Cisne Negro)
- Michelle Williams (Blue Valentine)

Quem ganha: Michelle Williams - Blue Valentine
___________________________________________________________________
Melhor atriz - comédia ou musical
- Annete Bening (Minhas mães e meu pai)
- Anne Hathaway (O Amor e outras drogas)
- Angelina Jolie (O Turista)
- Juliane Moore (Minhas mães e meu pai)
- Emma Stone (A Mentira)

Quem ganha: Annete Bening - Minhas mães e meu pai
___________________________________________________________________
Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale (O Vencedor)
- Michael Douglas (Wall Street o dinheiro nunca dorme)
- Andrew Garfield (A Rede Social)
- Jeremy Renner (Atração Perigosa)
- Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

Quem ganha: Christian Bale - O Vencedor
___________________________________________________________________
Melhor atriz coadjuvante
- Amy Adams (O Vencedor)
- Helena Bonhan-Carter (O Discurso do Rei)
- Mila Kunis (Cisne Negro)
- Melissa Leo (O Vencedor)
- Jacki Weaver (Reino Animal)

Quem ganha: Melissa Leo - O Vencedor
___________________________________________________________________
Melhor diretor
- Darren Aronofsky (Cisne Negro)
- David Fincher (A Rede Social)
- Tom Hooper (O Discurso do Rei)
- Christopher Nolan (A Origem)
- David O. Russell (O Vencedor)

Quem ganha: David Fincher - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor roteiro
- Danny Boyle e Simon Beafoy (127 Horas)
- Christopher Nolan (A Origem)
- Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko (Minhas mães e meu pai)
- David Seidler (O Discurso do Rei)
- Aaron Sorkin (A Rede Social)

Quem ganha: Aaron Sorkin - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor canção original
- Burlesque "Bound to you"
- Burlesque "You haven't see the last of me"
- Country Song "Coming Home"
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada "There's a place for us"
- Enrolados "I See The Light"

Quem ganha: Burlesque - tanto faz
___________________________________________________________________
Melhor trilha sonora original
- A.R. Rahman (127 Horas)
- Danny Elfman (Alice no país das maravilhas)
- Hans Zimmer (A Origem)
- Alexandre Desplat (O Discurso do Rei)
- Trent Reznor e Aticuss Ross (A Rede Social)

Quem ganha: Trent Reznor e Aticuss Ross - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor filme de animação
- Meu malvado favorito
- Como treinar o seu dragão
- O Mágico
- Enrolados
- Toy Story 3

Quem ganha: Toy Story 3


Pra ser sincero: Estou torcendo para A Rede Social em todas as categorias, especialmente melhor diretor para David Fincher, já está na hora. Queria que Como Treinar o Seu Dragão desbancasse Toy Story, mas isso não vai acontecer. Me emputece (MUITO) ver Denny Elfman e Hans Zimmer indicados ao Globo de Ouro e James Newton Howard e John Powell não.

Será que eu estou certo nas minhas apostas? Dia 16 de janeiro iremos descobrir!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Tempos estranhos







Novo filme do diretor David Fincher, A Rede Social, conta a história dos fundadores da rede social, Facebook e como ela afetou nossa geração.






Nós vivemos em tempos estranhos. Tempos em que a sociedade vive não mais no mundo real, mas sim numa rede interligada de computadores, dispositivo inventado na década de 40 e que até poucas décadas atrás era tão desconhecido quanto a rede no qual ele opera. A internet.


Estes são tempos de mudanças. Mudanças que se salientaram na década de 80 e que tendem a continuar aumentendo em uma escala crescente de velocidade. O capitalismo derrotou o socialismo e a moeda corrente mudou do dinheiro para a informação. Vivemo numa era da informação em que velocidade comumente é mais importante do que conteúdo. Vivemos numa era em que as fronteiras entre as pessoas não são mais delimitadas por muros que dividem cidades, mas por telas de computadores.


É nesse mundo que nasce A Rede Social (The Social Network, EUA, 2010) a nova empreitada cinematográfica do diretor David Fincher, um dos poucos diretores autorais da atualidade e do roteirista Aaron Sorkin, um dos melhores roteiristas de Hollywood, conhecido por seus diálogos no estilo metralhadora, repletos de humor, nuances e ironias.


Dois alunos da universidade de Harvard, Mark Zuckenberg (interpretado por Jesse Einsenberg) e o brasileiro Eduardo Saverin (o brilhante Andrew Garfield), tiveram, no outono de 2003, a brilhante ideia de criar uma rede social que compartilhasse fotos, vídeos e informações e permitisse o acesso das pessoas de acordo com a permissão concedida a elas. Numa época em que a inclusão social significava tudo, aquela era certamente uma revolução.


Entretanto, o que começou somente como uma rede que englobaria os estudantes de Harvard, cresceu, expandindo-se para mais de 100 universidades e tornando-se então a maior rede social do mundo, com 500 milhões de usuários em todo o mundo, e um capital de 25 bilhões de dólares. E a partir do momento em que o Facebook atingiu seu primeiro milhão de usuários, começaram também as intrigas, as polêmicas e as traições.


O filme abre com a cena em que Zuckenberg rompe com sua namorada (provavelmente a única pessoa de caráter de todo o filme), Erika Albright (Rooney Mara) em uma abertura que levou 99 tomadas para ser feita. Na sequência o jovem gênio cria um aplicativo que compara os rostos das alunas da faculdade e então, a cena corta para o processo judicial que o rapaz está enfrentando. As acusações são feitas pelo seu melhor amigo, Saverin e pelos irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (interpretados por Armie Hamer e Josh Pence com um recurso semelhante ao Curioso caso de Benjamin Button, no qual o rosto de Hamer foi transferido para o corpo de Pence com notável perfeição), e Divya Narendra (Max Minghella) que o acusam de roubo de propriedade intelectual.


O estilo minimalista de Fincher é levado ao extremo aqui, especialmente com um roteiro afiado como o de Sorkin. No filme, a ação ocorre nos diálogos, quase como no filme do diretor Akira Kurosawa, Rashomon, em que vários personagens contam a história de pontos de vista diferentes. A edição, frenética, salienta as diferentes versões dos personagens em um ritmo alucinante.


A fotografia aprofunda os tons dourados e verdes da obra, que no geral é bem sombria. A música, composta por Trent Reznor - da banda Nine Inch Nails - e Aticuss Ross, assemelha-se a uma peça de terror, marcadas por elementos eletrônicos, pianos e sintetizadores. Ela conduz o filme de maneira eficaz, sendo uma das trilhas mais interessantes do ano.


Como é de costume nos filmes de Fincher, o elenco é afiadíssimo e ninguém está fora do papel, ou inferior aos colegas. Logicamente, um ou outro se destaca, e nesse caso Andrew Garfield que interpreta o brasileiro Saverin e Justin Timberlake que interpreta o criador do Napster (aplicativo que disponibilizava músicas gratuitamente na web), Sean Parker, são os que provêm as atuações mais surpreendentes, com Garfield roubando a cena.


Em muitos aspectos, Zuckenberg se assemelha ao perfil de um psicopata. É um indivíduo inseguro, não-atrante e pobre, mas ao mesmo tempo genial. Daí, surge a necessidade de se provar, necessidade que evoluiu para um comportamento ganancioso, inconsequente e destrutivo, onde o único objetivo era a criação - e evolução - do facebook, sendo que ele passaria por cima de qualquer um para alcançar seus objetivos.


É esse o perfil de magnata empresarial que é capaz de criar conceitos revolucionários as custas dos outros, que a sociedade, em especial a norte-americana tende a endeusar. E tal perfil não escapa às críticas de Fincher e Sorkin.


O que também não escapa às críticas dos realizadores do melhor filme do ano, é a sociedade cujas relações tem estreitado-se em conceitos de tempo e espaço, mas que no fim tornaram-se mais distantes, superficiais, que, com o advento da internet, gerou situações repletas de ganância e traição.


A Rede Social pegou muitos de surpresa. Transformou, graças à genialidade de seus realizadores, no melhor e mais comentado filme deste ano. Um filme que retrata as ambiguidades das relações humanas, mais próximas e distantes ao mesmo tempo, do que jamais foram. Relações que transcendem as questões éticas e morais. E ao mesmo tempo, fala do Facebook, a maior rede social do planeta, e Mark Zuckenberg, o bilionário mais jovem de todos os tempos.


Podem esperar A Rede Social no topo dos candidatos ao OSCAR no ano que vem. O filme já recebeu 6 indicações ao Globo de Ouro, venceu uma dúzia de prêmios e foi indicado a outra. É um clássico moderno que define uma geração que vive na cibercultura. Agora analisemos essa situação friamente: o filme sobre a história do Facebook, sendo indicado ao OSCAR de melhor filme. Certamente esses são tempos estranhos.