5 filmes foram indicados ao Globo de Ouro, 2011, mas somente um vencerá. Confira abaixo os indicados com análise de qual é o melhor e qual é o favorito ao prêmio.
Melhor filme
- Cisne Negro.
O diretor Darren Aronofsky é considerado um dos mais importantes e conceituados diretores contemporâneos em Hollywood. Seus filmes normalmente contém uma carga alta de situações sociais complexas, sexo, drogas e outras coisas. Ano passado ele indicou Micky Rourke ao OSCAR de melhor ator, com seu filme O Lutador. Este ano ele lançou o drama psicológico Cisne Negro com Natalie Portman, Vincent Cassel e Mila Kunis (a Jackie da série That 7o's show). O filme é centrado na personagem de Portman, uma bailarina, e o confronto com sua rival, Mila Kunis. Ambicioso como sempre, Aronofsky criou uma das obras mais controversas e interessantes do ano. O filme recebeu 4 indicações ao Globo de Ouro, uma de melhor diretor. Portman e Kunis receberam indicações nas categorias de atriz e atriz coadjuvante, o que, para os fãs da série de comédia sobre os garotos dos anos 70, é muito interessante. O filme ainda não estreou no Brasil, portanto não é avaliado. Infelizmente, com os gigantes A Origem e A Rede Social, o cisne navega em águas turbulentas.
- O Vencedor.
Desde Touro Indomável de Martin Scorcese, estrelando Robert DeNiro, que um filme sobre pugilismo não recebia tamanha atenção do público e críticos. David O. Russell também nunca foi conhecido por fazer filmes que agradassem os membros da Academia, mas O Vencedor, com Mark Whaldberg surpreendeu a muitos. O filme estreou bem, recebeu ótimas críticas e emplacou 6 indicações ao Globo de Ouro. A obra narra a tragetória de Micky Ward, lutador e seu irmão que o treinou, durante a campanha esportiva nos anos 80. Baseado em uma história real, o filme deverá receber a maior parte de seus prêmios por parte de Bale, que mudou fisicamente de uma forma impressionante e tem a chance de conseguir sua primeira indicação ao OSCAR, assim como o Globo de Ouro foi sua primeira. Contudo, como filme ou direção, O Vencedor deverá ser nocauteado.
- A Origem.
A Origem, a nova superprodução do diretor Christopher Nolan, confirmou sua condição de renovar o gênero dos filmes de grande orçamento, com um roteiro complexo, inteligente e intrigante, repleto de ação e detalhes minuciosos, como é característico de Nolan. A trama fala de um ladrão que precisa invadir a mente de um indivíduo para plantar uma ideia num futuro não muito distante. Após ser esnobado pela Academia com O Cavaleiro das Trevas, Nolan parece ter definitivamente emplacado sua obra prima na cabeça dos críticos e conquistou suas primeiras indicações ao Globo de Ouro, e provavelmente ao OSCAR. O filme é impressionante, com imagens belíssimas e um conceito interessantíssimo. Contudo, Nolan falhou ao ousar mais o conceito visual dos sonhos. Podia ter criado (com a ideia que ele mesmo teve) muito mais do que criou. Ainda assim, o filme é um dos favoritos.
- O Discurso do Rei.
Drama inglês dirigido por Tom Hooper com Colin Firth, O Discurso do Rei recebeu maciça repercussão crítica durante sua campanha de estréia e é o filme com o maior número de indicações ao Globo de Ouro: 7. É o tipo de filme que tem cara e vencedor de OSCAR, e corre na frente de filmes como Cisne Negro e O Vencedor. O filme acompanha a tragetória do rei George VI, sua ascenção ao trono e o discurso que o fez merecedor dele. Firth tem sérias chances de ganhar seu primeiro grande prêmio, e o filme é um dos favoritos ao Globo de Ouro, mas não deve levar. O filme ainda não estreou no Brasil.
- A Rede Social.
Filme que narra a história da criação da rede social Facebook e seus fundadores, A Rede Social é, definitivamente, o favorito a todos os prêmios dessa temporada. Dirigido brilhantemente por David Fincher e com um roteiro ainda mais brilhante de Aaron Sorkin, a obra vêm recebendo todas as atenções das críticas e também lidera em quantidade de prêmios e indicações. O filme vale isso, mas não agradará a todos do público, devido à enorme quantia de diálogos que conduzem o filme, ao contrário de obras como A Origem, repletas de ação. David Fincher provou ser um dos diretores mais talentosos de Hollywood, mas sofreu grandes injustiças anteriormente, como em O Curioso Caso de Benjamin Button e Zodíaco, o qual devia ao menos ter recebido indicações. Isso significa que pode dar zica dia 16 de Janeiro. Caso isso aconteça, Nolan é o candidato mais provável ao prêmio de melhor direção. Mas a história do facebook leva melhor filme com certeza.
Lista de indicados e quem deverá vencer:
Melhor filme - Drama
- Cisne Negro
- O Vencedor
- A Origem
- O Discurso do Rei
- A Rede Social
Quem ganha: A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor filme - Comédia ou Musical
- Alice no país das maravilhas
- Burlesque
- Minhas mães e meu pai
- Red - Aposentados e perigosos
- O Turista
Quem ganha: Minhas mães e meu pai
___________________________________________________________________
Melhor ator - drama
- Jesse Einsenberg (A Rede Social)
- Colin Firth (O Discurso do Rei)
- James Franco (127 Horas)
- Ryan Gosling (Blue Valentine)
- Mark Whaldberg (O Vencedor)
Quem ganha: Colin Firth - O Discurso do Rei
___________________________________________________________________
Melhor ator - comédia ou musical
- Johnny Depp (Alice no país das maravilhas)
- Johnny Depp (O Turista)
- Paul Giamatti (Minha versão para o amor)
- Jake Gyllenhall (O Amor e outras drogas)
- Kevin Spacey (Casino Jackey)
Quem ganha: Johnny Depp - tanto faz
___________________________________________________________________
Melhor atriz - drama
- Halle Barry (Frankie e Alice)
- Nicole Kidman (Rabbit Hole)
- Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)
- Natalie Portman (Cisne Negro)
- Michelle Williams (Blue Valentine)
Quem ganha: Michelle Williams - Blue Valentine
___________________________________________________________________
Melhor atriz - comédia ou musical
- Annete Bening (Minhas mães e meu pai)
- Anne Hathaway (O Amor e outras drogas)
- Angelina Jolie (O Turista)
- Juliane Moore (Minhas mães e meu pai)
- Emma Stone (A Mentira)
Quem ganha: Annete Bening - Minhas mães e meu pai
___________________________________________________________________
Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale (O Vencedor)
- Michael Douglas (Wall Street o dinheiro nunca dorme)
- Andrew Garfield (A Rede Social)
- Jeremy Renner (Atração Perigosa)
- Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)
Quem ganha: Christian Bale - O Vencedor
___________________________________________________________________
Melhor atriz coadjuvante
- Amy Adams (O Vencedor)
- Helena Bonhan-Carter (O Discurso do Rei)
- Mila Kunis (Cisne Negro)
- Melissa Leo (O Vencedor)
- Jacki Weaver (Reino Animal)
Quem ganha: Melissa Leo - O Vencedor
___________________________________________________________________
Melhor diretor
- Darren Aronofsky (Cisne Negro)
- David Fincher (A Rede Social)
- Tom Hooper (O Discurso do Rei)
- Christopher Nolan (A Origem)
- David O. Russell (O Vencedor)
Quem ganha: David Fincher - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor roteiro
- Danny Boyle e Simon Beafoy (127 Horas)
- Christopher Nolan (A Origem)
- Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko (Minhas mães e meu pai)
- David Seidler (O Discurso do Rei)
- Aaron Sorkin (A Rede Social)
Quem ganha: Aaron Sorkin - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor canção original
- Burlesque "Bound to you"
- Burlesque "You haven't see the last of me"
- Country Song "Coming Home"
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada "There's a place for us"
- Enrolados "I See The Light"
Quem ganha: Burlesque - tanto faz
___________________________________________________________________
Melhor trilha sonora original
- A.R. Rahman (127 Horas)
- Danny Elfman (Alice no país das maravilhas)
- Hans Zimmer (A Origem)
- Alexandre Desplat (O Discurso do Rei)
- Trent Reznor e Aticuss Ross (A Rede Social)
Quem ganha: Trent Reznor e Aticuss Ross - A Rede Social
___________________________________________________________________
Melhor filme de animação
- Meu malvado favorito
- Como treinar o seu dragão
- O Mágico
- Enrolados
- Toy Story 3
Quem ganha: Toy Story 3
Pra ser sincero: Estou torcendo para A Rede Social em todas as categorias, especialmente melhor diretor para David Fincher, já está na hora. Queria que Como Treinar o Seu Dragão desbancasse Toy Story, mas isso não vai acontecer. Me emputece (MUITO) ver Denny Elfman e Hans Zimmer indicados ao Globo de Ouro e James Newton Howard e John Powell não.
Será que eu estou certo nas minhas apostas? Dia 16 de janeiro iremos descobrir!
Mostrando postagens com marcador A Rede Social. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A Rede Social. Mostrar todas as postagens
domingo, 19 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Tempos estranhos
Novo filme do diretor David Fincher, A Rede Social, conta a história dos fundadores da rede social, Facebook e como ela afetou nossa geração.
Nós vivemos em tempos estranhos. Tempos em que a sociedade vive não mais no mundo real, mas sim numa rede interligada de computadores, dispositivo inventado na década de 40 e que até poucas décadas atrás era tão desconhecido quanto a rede no qual ele opera. A internet.
Estes são tempos de mudanças. Mudanças que se salientaram na década de 80 e que tendem a continuar aumentendo em uma escala crescente de velocidade. O capitalismo derrotou o socialismo e a moeda corrente mudou do dinheiro para a informação. Vivemo numa era da informação em que velocidade comumente é mais importante do que conteúdo. Vivemos numa era em que as fronteiras entre as pessoas não são mais delimitadas por muros que dividem cidades, mas por telas de computadores.
É nesse mundo que nasce A Rede Social (The Social Network, EUA, 2010) a nova empreitada cinematográfica do diretor David Fincher, um dos poucos diretores autorais da atualidade e do roteirista Aaron Sorkin, um dos melhores roteiristas de Hollywood, conhecido por seus diálogos no estilo metralhadora, repletos de humor, nuances e ironias.
Dois alunos da universidade de Harvard, Mark Zuckenberg (interpretado por Jesse Einsenberg) e o brasileiro Eduardo Saverin (o brilhante Andrew Garfield), tiveram, no outono de 2003, a brilhante ideia de criar uma rede social que compartilhasse fotos, vídeos e informações e permitisse o acesso das pessoas de acordo com a permissão concedida a elas. Numa época em que a inclusão social significava tudo, aquela era certamente uma revolução.
Entretanto, o que começou somente como uma rede que englobaria os estudantes de Harvard, cresceu, expandindo-se para mais de 100 universidades e tornando-se então a maior rede social do mundo, com 500 milhões de usuários em todo o mundo, e um capital de 25 bilhões de dólares. E a partir do momento em que o Facebook atingiu seu primeiro milhão de usuários, começaram também as intrigas, as polêmicas e as traições.
O filme abre com a cena em que Zuckenberg rompe com sua namorada (provavelmente a única pessoa de caráter de todo o filme), Erika Albright (Rooney Mara) em uma abertura que levou 99 tomadas para ser feita. Na sequência o jovem gênio cria um aplicativo que compara os rostos das alunas da faculdade e então, a cena corta para o processo judicial que o rapaz está enfrentando. As acusações são feitas pelo seu melhor amigo, Saverin e pelos irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (interpretados por Armie Hamer e Josh Pence com um recurso semelhante ao Curioso caso de Benjamin Button, no qual o rosto de Hamer foi transferido para o corpo de Pence com notável perfeição), e Divya Narendra (Max Minghella) que o acusam de roubo de propriedade intelectual.
O estilo minimalista de Fincher é levado ao extremo aqui, especialmente com um roteiro afiado como o de Sorkin. No filme, a ação ocorre nos diálogos, quase como no filme do diretor Akira Kurosawa, Rashomon, em que vários personagens contam a história de pontos de vista diferentes. A edição, frenética, salienta as diferentes versões dos personagens em um ritmo alucinante.
A fotografia aprofunda os tons dourados e verdes da obra, que no geral é bem sombria. A música, composta por Trent Reznor - da banda Nine Inch Nails - e Aticuss Ross, assemelha-se a uma peça de terror, marcadas por elementos eletrônicos, pianos e sintetizadores. Ela conduz o filme de maneira eficaz, sendo uma das trilhas mais interessantes do ano.
Como é de costume nos filmes de Fincher, o elenco é afiadíssimo e ninguém está fora do papel, ou inferior aos colegas. Logicamente, um ou outro se destaca, e nesse caso Andrew Garfield que interpreta o brasileiro Saverin e Justin Timberlake que interpreta o criador do Napster (aplicativo que disponibilizava músicas gratuitamente na web), Sean Parker, são os que provêm as atuações mais surpreendentes, com Garfield roubando a cena.
Em muitos aspectos, Zuckenberg se assemelha ao perfil de um psicopata. É um indivíduo inseguro, não-atrante e pobre, mas ao mesmo tempo genial. Daí, surge a necessidade de se provar, necessidade que evoluiu para um comportamento ganancioso, inconsequente e destrutivo, onde o único objetivo era a criação - e evolução - do facebook, sendo que ele passaria por cima de qualquer um para alcançar seus objetivos.
É esse o perfil de magnata empresarial que é capaz de criar conceitos revolucionários as custas dos outros, que a sociedade, em especial a norte-americana tende a endeusar. E tal perfil não escapa às críticas de Fincher e Sorkin.
O que também não escapa às críticas dos realizadores do melhor filme do ano, é a sociedade cujas relações tem estreitado-se em conceitos de tempo e espaço, mas que no fim tornaram-se mais distantes, superficiais, que, com o advento da internet, gerou situações repletas de ganância e traição.
A Rede Social pegou muitos de surpresa. Transformou, graças à genialidade de seus realizadores, no melhor e mais comentado filme deste ano. Um filme que retrata as ambiguidades das relações humanas, mais próximas e distantes ao mesmo tempo, do que jamais foram. Relações que transcendem as questões éticas e morais. E ao mesmo tempo, fala do Facebook, a maior rede social do planeta, e Mark Zuckenberg, o bilionário mais jovem de todos os tempos.
Podem esperar A Rede Social no topo dos candidatos ao OSCAR no ano que vem. O filme já recebeu 6 indicações ao Globo de Ouro, venceu uma dúzia de prêmios e foi indicado a outra. É um clássico moderno que define uma geração que vive na cibercultura. Agora analisemos essa situação friamente: o filme sobre a história do Facebook, sendo indicado ao OSCAR de melhor filme. Certamente esses são tempos estranhos.
Assinar:
Postagens (Atom)