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terça-feira, 9 de abril de 2013

Eu Não Quero Voltar Sozinho

Costumeiramente eu coloco um título que tenha a ver com a história do livro/filme/seriado a ser resenhado. Geralmente algo que me remete àquela história, seja um sentimento, uma piada ou um comentário que o leitor só compreenda, ou compreenda claramente o que eu quis dizer após ter lido ou visto aquilo a que me refiro. Mas não hoje. Simplesmente porque isso não é necessário. O título desta resenha é também o título do filme. Logo, o filme é um curta-metragem nacional de 17 minutos chamado Eu Não Quero Voltar Sozinho (idem, BRA, 2010) dirigido pelo Daniel Ribeiro (diretor, editor, roteirista e por aí vai...) que se especializou em curtas e após o sucesso deste Eu Não Quero Voltar Sozinho no Youtube (no momento com mais de 2 milhões de visualizações e que linkei no final deste post), decidiu ampliar o roteiro do curta para um longa-metragem, atualmente em pós produção e com previsão de estrear em 2014.
Para quem não conhece, a curtíssima história mostra um adolescente cego chamado Leonardo (Ghilherme Lobo) e como a sua vida e de sua melhor amiga, Giovana (Tess Amorim), muda com a chegada de um novo colega de sala, Gabriel (Fabio Audi) por quem Leo começa a se apaixonar, causando ciúmes na melhor amiga. Giovana, que sempre acompanhava o rapaz até a sua casa, cai para segundo plano quando o novo amigo se torna mais presente e passa a comapnhá-los também. O filme já ganhou cerca de 10 prêmios mostrando o quão tocante consegue ser, principalmente por reunir no protagonista duas características que quase nunca são exploradas, principalmente no Brasil: a deficiência visual e a homossexualidade.
Para os puritanos de plantão, o filme não chega a mostrar nada, pois o objetivo é detalhar uma paixão puramente platônica e alcança um êxito louvável neste quesito. E sinceramente, não tenho outra forma de definir este filme: fofo. É uma filminho tocante, leve, sensível, belo. As atuações, tanto dos atores jovens quanto dos poucos adultos, são comoventes e ótimas. A trilha sonora é espetacular, inclusive com a música "Janta" de Marcelo Camelo. Ver a esse filme dá um sentimento gostoso no peito, daqueles que aquecem o coração. Mal posso esperar pelo longa-metragem que vem para completar este roteiro tão adorável.
Título original: "Eu Não Quero Voltar Sozinho". Ano: 2010. Nacionalidade: BRA. Diretor:  Daniel Ribeiro. Roteiro de:  Daniel Ribeiro. Produzido por:  Daniel Ribeiro, Diana Almeida. Estrelando: Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim. Música de: Juliano Polimeno e Tatá Aeroplano. Duração: 17 min. Resenha escrita por: Guilherme R. Aleixo. Nota: 10/10.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O fim da inocência




Baseado na série de livros de John Marsden (que também assina o roteiro) o filme de que falo hoje é a adaptação do livro Amanhã – Quando a Guerra Começou. Título em português? Guerreiros do Amanhã (Tomorrow, When the War Began, AUS, 2010). Sim, também achei uma adaptação estúpida e sem sentido do nome. Títulos brasileiros, sempre decepcionando...
Enfim, a história se passa na Austrália e gira ao redor de sete adolescentes que decidem aproveitar um feriado para ir acampar em uma área selvagem nas proximidades da pequena cidade onde moram. Esses adolescentes são: a protagonista, Ellie (Caitlin Stasey); sua melhor amiga Corrie (Rachel Hurd-Wood) e o namorado, Kevin (Lincoln Lewis); o amigo de infância de Ellie e rebelde do grupo, Homer (Deniz Akdeniz); a princezinha da cidade, garota rica e de que todos gostam, Fiona (Phoebe Tonkin); o garoto em que Ellie está interessada, Lee (Chris Pang); e, por fim, a prima religiosa de Ellie, Robin (Ashleigh Cummings). Nota-se logo que o que mantêm o grupo unido é a protagonista, Ellie, que é quem conta a história em primeira pessoa, em um diário em video.
Durante o final de semana em que estão acampando, no entanto, sua cidade é invadida, e ao que parece todo o país também, por um exército inimigo que começa uma ocupação. Todos os habitantes da cidade foram capturados e reunidos pelo inimigo. Ao que parece, teve início uma guerra e a pequena cidade onde morava está ocupada pelo inimigo devido a seu valor estratégico (no filme nunca fica claro o motivo, embora subentenda-se que é devido à grande baía e ao porto que dá acesso ao continente).
Não vou dizer que o filme é perfeito. Não é. Os livros são muito mais realistas e interessantes, se querem saber minha opinião. O fato é que o filme tem cenas espetaculares, tiradas ótimas, referências divertidas e por aí vai. E o plot da história, em si, é genial. Talvez fizesse muito mais sentido em um período de e pós-Guerra Fria, mas ainda assim, é válido para nos darmos conta de que a aparente segurança que temos é mera ilusão que pode se acabar com um apertar de botão, para se dizer a verdade. Nos livros e no filme, nunca chegamos ao nível de um ataque de proporções nucleares, e isso porque os invasores querem ocupar a terra, tomarem posse, habitá-la.
O interessante do filme australiano, é na verdade poder observar o psicológico dos adolescentes se deteriorando à medida que se dão conta de que têm de se virar, não podem contar com ninguém, que um erro pode levar todos eles à morte. Mesmo quando começam a atuar como um grupo de guerrilheiros, vemos o desfigurar de jovens com esperanças em soldados lutando por suas vidas (aliás, atuação estupenda da Caitlin Stasey neste quesito). Como disse antes, não é um longa-metragem perfeito. Mas é perfeito para mostrar que vivemos à base de esperança e ilusões e que temos de deixá-los de lado quando é necessário. Às vezes abandonar a inocência é essencial. Além do mais, as explosões e tiroteios divertem à beça.
"Guerreiros do Amanhã". Título original: "Tomorrow, When the War Began". Ano: 2010. Nacionalidade: AUS. Diretor: Stuart Beattie. Roteiro de: John Marsden, Stuart Beattie. Produzido por: Peter Graves, Christopher Mapp, Matthew Street, David Whealy. Estrelando: Caitlin Stasey, Rachel Hurd-Wood, Lincoln Lewis, Deniz Akdeniz, Phoebe Tonkin, Chris Pang, Ashleigh Cummings e Andrew Ryan. Música de: Reinhold Heil e Johnny Klimek. Duração: 103 min. Resenha escrita por: Guilherme R. Aleixo. Nota: 7,5/10.